Mercúrio é uma das 10 substâncias químicas mais perigosas para a saúde pública

Estilo Saúde 25 Outubro / 2013 Sexta-feira por Gramadosite

Para Vital Ribeiro é incrível perceber que termômetros, esfigmomanômetros e amálgamas, que contém mercúrio, ainda são utilizados nos hospitais do Brasil. "Não dá para entender como um país signatário do Tratado Internacional de Minamata (Japão), que prevê a eliminação do uso do mercúrio em ambiente hospitalar até 2020, ainda usa esse tipo de equipamento na sua rede de saúde", questiona. Os termômetros e esfigmomanômetros entraram no anexo que determina quais os equipamentos contendo mercúrio têm que ser proibidos. "O termômetro de mercúrio é tão perigoso, que foi proibido na comunidade europeia há vários anos. Nos Estados Unidos também é vetado pela legislação ambiental", explica Ribeiro.

O presidente do Projeto Hospitais Saudáveis alerta que a falta de informação sobre o metal é gritante. De acordo com Ribeiro, o problema do mercúrio no meio ambiente e na saúde pública do Brasil é tão grave, que se os dados sobre o ciclo do metal fosse m apresentados com mais frequência, as pessoas perceberiam o pe rigo que correm. "Um dos grandes equívocos é achar que termômetro é uma coisa banal, que você joga fora em qualquer lugar", alerta Ribeiro.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a contaminação por mercúrio pode causar danos neurológicos graves, principalmente nos jovens, além de prejudicar rins e sistema digestivo. Margaret Chan, diretora-geral da OMS, alerta que o mercúrio é uma das 10 substâncias químicas que mais preocupam em relação à saúde pública. A OMS prevê também a eliminação de desinfetantes e cosméticos que clareiam a pele, feitos à base de mercúrio. Além desses produtos, A OMS pede a eliminação dos amálgamas dentários.

Ribeiro afirma que, para usar termômetro de mercúrio, um hospital precisaria ter uma brigada de emergência de profissionais treinados que pudessem ser acionados cada vez que o termômetro quebrasse. Além disso, seria necessário ter pelo menos um kit de emergência para fazer recolhimento do metal em caso de vazamento. O resíduo também precisaria ser administrado e enviado para local adequado capaz de realizar a descontaminação. De acordo com Ribeiro, sem todas essas precauções, o hospital está passível de multa de órgão ambiental e de virar réu em processos trabalhistas por exposição ao mercúrio. "Diante disso, só há dois caminhos: ou você se faz de ignorante, finge que não conhece essa realidade, ou tenta se adequar", alerta.

Ribeiro relata que muitos reclamam do preço dos equipamentos digitais que poderiam substituir os que contém mercúrio, mas que aqueles, na verdade, são mais baratos. Um termômetro digital, por exemplo, dura dois ou três anos, enquanto um termômetro de mercúrio não resiste por mais de um mês. "O termômetro digital poderia custar 15, 20 vezes mais caro e ainda assim representaria uma economia para o hospital, e custa apenas três ou quatro vezes mais. O investimento de um gestor hospitalar na compra dos equipamentos digitais, se paga em seis meses", contabiliza Ribeiro. Ele também afirma que os equipamentos digitais ou aneroides são tão precisos e confiáveis quanto os que funcionam com mercúrio. "No caso dos termômetros, são até melhores", defende.

Uso de lâmpadas fluorescentes nos hospitais também pode ser nocivo

Ribeiro alerta que é importante questionar a abrangência das licenças ambientais apresentadas por empresas trituradoras de lâmpadas

Vital Ribeiro observa que empresas e hospitais têm contratado serviços de tratamento de lâmpada que não cumprem corretamente os procedimentos de descontaminação do mercúrio. "Os trituradores de lâmpada, nos preocupam muito pela forma como são operados, pela qualidade do serviço e até mesmo pela destinação dos filtros de carvão, o que não requer documentação ou licença ambiental dessas empresas", conta. De acordo com Ribeiro, alguns órgãos ambientais dão licenças muito precárias e alguns nem conhecem direito o problema.
Para Ribeiro, não basta apresentar licença ambiental. "Licença ambiental de quê? Para quê? Muitas dessas empresas de trituradores de lâmpada têm licença ambiental pra operar só num local "X", mas põem o triturador em cima de uma caminhonete e saem rodando o estado inteiro", conta. Além desta irregularidade, há também empresas que apresentam licenças, mas para outro tipo de trabalho e não para descontaminação de mercúrio. "Em amálgama, é muito comum se apresentar uma licença de metalúrgica ou de galvanoplastia. Só que na verdade se está prestando um serviço de tratamento de resíduo de mercúrio. Se a licença ambiental não cita resíduo de mercúrio, não serve para amálgama", esclarece Ribeiro.

A Apliquim Brasil Recicle é a única empresa brasileira com licença para descontaminar diversos resíduos mercuriais e certificar a recuperação do metal em seu estado líquido elementar, inclusive, para resíduo hospitalar. A empresa, que tem representação em todo território nacional com a reciclagem de lâmpadas fluorescents, também tem atuado na região sudeste do país com a descontaminação de outros resíduos mercuriais provenientes da area da saúde como esfigmomanômetros, termômetros, amálgamas dentários e mercúrio l&ia cute;quido.

Hospitais Saudáveis

O Projeto Hospitais Saudáveis (PHS) tem a meta de tornar um local que lida com saúde cada vez mais saudável e comprometido com o meio ambiente. A associação sem fins lucrativos, fundada em 2010 surgiu a partir de um seminário realizado com a Organização Saúde sem Dano. Ao perceber que organizações que prestam assistência à saúde não tinham uma linha de trabalho bem definida em relação aos impactos ambientais que geravam, profissionais ligados à área da saúde tomaram a iniciativa de incentivar os dirigentes a melhorar o local de trabalho nesses aspectos.
Três grandes projetos resumem as frentes de atuação da entidade: o seminário, evento que ocorre uma vez por ano e a Rede Global Hospitais Verdes e Saudáveis que, no Brasil, conta com 48 hospitais e quatro sistemas de saúde (mais 102 hospitais). Todos são comprometidos com pelo menos dois dos dez itens da Agenda Global, que considera ações como o uso de água, energia, transporte e descarte de resíduos. E ainda a Campanha Saúde sem Mercúrio (Mercury Free Health Care) - iniciativa global da Organização Mundial de Saúde para eliminar o mercúrio do ambiente hospitalar, presente em materiais como termômetros e esfigmomanômetros.

A Apliquim Brasil Recicle tem realizado coletas frequentes em hospitais. No dia 14 de agosto deste ano, foram coletados amálgamas dentários e mercúrio líquido no hospital Uniodonto, em São José dos Campos (SP). Também neste ano foram coletados termômetros hospitalares na Fundação Oswaldo Cruz (RJ), esfigmomanômetros da Fundação Faculdade de Medicina (SP), outros materiais contaminados por mercúrio na Abbot, Laboratórios do Brasil (SP), entre outros.

OMS pede eliminação do mercúrio nos hospitais até 2020

Na reunião da última semana em Genebra, a Organização Mundial da Saúde alertou para os graves efeitos do uso do mercúrio nos ambientes de saúde pública

A operação, chamada Cuidados de Saúde sem Mercúrio até 2020, foi lançada para marcar a assinatura da Convenção de Minimata sobre o Mercúrio na última quinta-feira (10/10). Em comunicado divulgado em Genebra, na Suíça, a OMS diz que o apelo é feito em conjunto com a organização Health Care without Harm. A Organização Mundial da Saúde pede a eliminação progressiva até 2020, dos termômetros e aparelhos de medição da tensão que contenham mercúrio, devido aos efeitos graves na saúde pública. O prazo máximo para a eliminação total dos equipamentos que contém mercúrio (como os termômetros), previsto na Convenção de Minamata é 2020. A Convenção foi assinada em Kumamoto (Japão) e ficará aberta para adesões até 9 de outubro do próximo ano.

No Brasil, alguns hospitais como o Hospital da Unicamp, Hospital da UFMG, Hospital Sírio Libanês, Hospital de Cubatão, Hospital da Unimed, Intermédica, GHC, Hospital de Clínicas, Hospital da PUC, Hospital Moinho de Ventos, Hospital Mãe de Deus, Santa Casa de Misericórdia, Hospital de Itapevi e Hospital Servidores do Rio de Janeiro, já descartam adequadamente seus resíduos com a Apliquim Brasil Recicle.

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