Lombalgia ocupacional é tema recorrente nos consultórios médicos

Estilo Saúde 25 Janeiro / 2012 Quarta-feira por Gramadosite

"Isso significa que, a cada 100 pessoas, 80 vão sofrer de dores nas costas pelo menos uma vez na vida", diz o reumatologista Marco Aurélio Goldenfum, que também é médico do trabalho e atua como médico perito previdenciário e administrativo. Ele complementa que a dor lombar só perde para a cefaleia (dor de cabeça) dentre os distúrbios dolorosos que mais afetam o ser humano, e está em terceiro lugar dentre as indicações de intervenções cirúrgicas.

A lombalgia ocupacional - aquela que tem o trabalho como causa direta ou o trabalho como um dos fatores envolvidos, ou ainda como agravante de problemas já existentes - também apresenta dados impressionantes. Em todo o mundo, é a principal causa de incapacidade laborativa, sendo responsável por ¼ dos casos de invalidez prematura. Somente nos Estados Unidos, acarreta uma perda de produtividade de 20 milhões de dólares por ano, ocasionando 175 milhões de dias perdidos de trabalho anualmente.

Os fatores de riscos profissionais para o desenvolvimento da lombalgia ocupacional são as movimentações e as posturas incorretas decorrentes das inadequações dos locais de trabalho, das condições de funcionamento dos equipamentos disponíveis e das formas de organização e execução do trabalho.

Há também fatores que contribuem para a dor se tornar crônica. O trabalho sentado por longas horas, os trabalhos pesados, os levantamentos de peso, a falta de exercícios físicos e os problemas psicológicos aumentam os riscos. "O melhor a fazer é alternar as posturas sentada e em pé durante o trabalho, sempre que possível", recomenda Goldenfum.

Quando o quadro de dor se torna mais intenso, comprometendo a capacidade para continuar exercendo as funções desempenhadas, o trabalhador adoecido pode solicitar o auxílio doença concedido pela previdência social. "É necessário atenção, pois o nome dado ao benefício induz o segurado a procurar o INSS por estar doente. Para ter direito ao auxílio doença, a pessoa, além de doente, deve estar incapacitada para o trabalho em decorrência da patologia apresentada", ressalta Goldenfum.

Durante os primeiros 15 dias de afastamento por incapacidade laborativa, a responsabilidade pelo pagamento dos dias não trabalhados é da empresa contratante. Após este período, passa a haver a necessidade de realização de exame médico pericial no INSS. Além da comprovação da doença, a perícia irá avaliar o risco que a continuidade da atividade laboral desempenhada pode trazer para a saúde e segurança do empregado e de seus colegas de trabalho.

Para o tratamento da dor, o reumatologista Goldenfum recomenda: é necessária a eliminação dos fatores de risco, a terapia medicamentosa, a fisioterapia e a reeducação do paciente. "O repouso só é eficaz na fase aguda, quando há mais dor. Mas não pode ser prolongado, pois a inatividade prolongada é prejudicial para o aparelho locomotor", finaliza.

Marco Aurélio Goldenfum veio a Caxias do Sul a convite do Departamento de Reumatologia da Associação Médica de Caxias do Sul (Amecs), em parceria com o laboratório Lilly. Além de palestrar sobre lombalgia ocupacional, o reumatologista falou sobre aspectos médicos e legais da fibromialgia.

Fatores de risco para lombalgia ocupacional
.os traumas cumulativos;
.o trabalho físico pesado;
.o agachamento;
.o levantamento de cargas;
.a exposição a longas jornadas de trabalho sem pausas;
.a adoção de posturas estáticas;
.a adoção de posturas inadequadas.

Fatores que contribuem para tornar crônica e incapacitante a lombalgia ocupacional
.os quadros de história prévia de dor lombar;
.dor irradiada para as pernas;
.redução de amplitude de elevação da perna;
.sinais de comprometimento neurológico;
.diminuição da força e da resistência muscular do tronco;
.falta de condicionamento físico;
.tabagismo;
.sinais de depressão e de estresse psicológico;
.baixa satisfação no trabalho;
.problemas pessoais relacionados com o uso e abuso de álcool;
.problemas conjugais e financeiros.

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