Hugo França esculpe sua arte nos jardins da Villa Sergio Bertti para exposição pioneira

Estilo Casa E Decoração 09 Outubro / 2015 Sexta-feira por Gramadosite

De 24 de outubro a 6 de dezembro, o Complexo da Villa Sergio Bertti trará ao público de Gramado um reencontro com um dos designers gaúchos de maior reconhecimento internacional. Hugo França e seu incansável trabalho com peças oriundas de resíduos ambientais retorna ao seu estado natal para um trabalho inédito, comandado pela Galeria de Villa e com curadoria de Cézar Prestes.

“Eu nunca realizei um trabalho tão grande dentro do Rio Grande do Sul em todos esses anos. Confesso que é um trabalho que vem para me agraciar”, confessa Hugo, que, por coincidência, comemorará seu aniversário na abertura da exposição.

Serão em torno de 15 peças trabalhadas a partir de espécies de araucárias, grápias, canjerana e eucalipto, garimpadas obrigatoriamente já na forma de resíduos pelo fundador da marca, Sergio Berti. Entre os destaques, segundo o próprio designer, está a majestosa mesa de 5,5 metros de comprimento e quase 2 toneladas. A mesma, uma peça única de araucária com 340 anos, será leiloada ao fim da exposição, com organização de Paulo Gasparotto. A renda será revertida para ações sociais na serra gaúcha, coordenadas pela ONG da Villa, liderada por Lisandra Berti.

Mas mais do que espécies locais, a produção in loco é um dos diferenciais da proposta, com a equipe do designer atuando de forma móvel e em parceria direta com a fábrica da Sergio Bertti. Esse trânsito artístico nos jardins da Villa é exatamente uma das intensões da Galeria.

“Ter o artista atuando dentro da Villa, assim como tivemos a experiência com o Bez Batti e as peças de basalto, é algo inovador dentro do Rio Grande do Sul. É mais do que visitar peças que são trazidas para o local. É como entrar na alma da obra. Toda a experiência sensorial é valorizada desta forma”, afirma Cezar Prestes.

Entre as peças, algumas parcerias e intervenções serão vistas pelos visitantes. França e Bez Batti assinam, pela primeira, uma peça juntos, também criada dentro do complexo. Ambos ganharão outra ação pioneira no Estado: os ateliês fixos dentro do complexo. A ideia são trabalhos esporádicos envolvendo matérias-primas locais e a genialidade internacional de ambos.

“Mas todos que visitarem o complexo poderão visitar esses espaços, que para nós serão verdadeiras exposições permanentes de como essas mentes criam, executam e transformam em design e arte matérias-primas tão cotidianas”, afirma Cristiano Berti, diretor da empresa.

Também na exposição, que ocorre até 6 de dezembro, a designer Inês Schertel, de São Francisco de Paula, fará uma intervenção com lã de ovelha em uma das peças de Hugo França. Além da admiração mútua e sintonia de trabalho entre ambos, esta intervenção antecipa uma das futuras ações da Galeria, com Inês criando seu design de técnica milenar com lã de ovelha criadas pela família Berti.

SERVIÇO
O QUE: Hugo França - Atelier da Serra
ONDE: Villa Sergio Bertti 2015 | Av. Borges de Medeiros, 4840 | Gramado/RS
QUANDO: 25 de outubro a 6 de dezembro de 2015
HORÁRIOS DE FUNCIONAMENTO: Segunda a domingo, das 10h às 18h
COQUETEL PARA CONVIDADOS: 24 de outubro | Sábado, às 18h


Gramado na rota da arte de resíduo florestal de Hugo França

Assim como o trabalho primoroso realizado em Trancoso, na Bahia, e em grandes cidades do Brasil e do mundo, peças do designer devolvem significado e função a espécies mortas e, em alguns casos, em avançado estado de extinção.

Mais do que uma exposição, o trabalho do designer Hugo França, que será apresentado ao público a partir do dia 24 de outubro, no complexo da Villa Sergio Bertti, é um consistente trabalho de devoção à natureza. Reconhecido por seu projeto no interior da Bahia, onde 95% de sua produção traz de “volta à vida” espécies mortas de pequi vinagreiro, França leva seu design pelo mundo com a mesma essência.

“É uma espécie não muito conhecida na Mata Atlântica e já estamos realizando pesquisas para, na minha próxima ida à Bahia, organizar um viveiro de mudas da espécie. Hoje, desenterramos as raízes em locais atualmente usados como plantação de mamão e café”, conta Hugo.

Nos últimos meses, um embrião de um projeto tão ousado quanto teve início nos jardins da Villa Sergio Bertti, onde espécies de araucária, canjerana, eucalipto e grápia já em estado de resíduo florestal darão formas às peças de uma exposição, com visitação de 25 de outubro até 6 de dezembro, na Galeria da Villa, com curadoria de Cézar Prestes. As toras, encontradas já sem vida pelo fundador da empresa, Sergio Bertti, são o primeiro passo de uma parceria que deve solidificar as raízes desse trabalho.

Para o próximo ano, está previsto um ateliê fixo de Hugo França no Complexo, caso semelhante ao que irá ocorrer com o escultor Bez Batti. “Mesmo sem estar em operação full time, será um espaço onde Hugo dará continuidade a esse trabalho de respeito às espécies locais. Os resíduos ambientais trabalhados por ele, aos poucos, ganham novas possibilidades, garantindo não apenas que aquele tronco seja utilizado de forma digna, mas também impedindo a queda de novas árvores”, explica Prestes.

Entre os trabalhos realizados por Hugo França com resíduos ambientais estão ações que “devolvem” as madeiras à população na forma de mobiliário urbano (veja box abaixo).

Ainda em Gramado, o trabalho inicial de França com a Galeria da Villa será estendido para mais trabalhos culturais na cidade. Uma das peças - uma majestosa mesa de 5,5 metros de comprimento e quase 2 toneladas, uma peça única feita a partir de uma araucária - será leiloada em evento organizado por Paulo Gasparotto, e sua renda será destinada a ações sociais na serra gaúcha, coordenadas pela ONG da Villa, liderada por Lisandra Berti.

Sustentabilidade como essência
Confira alguns projetos de Hugo França com resíduos ambientais:

- Atualmente, Hugo possui 21 peças de mobiliário público em São Paulo: dois no Largo do Arouche, três no Burle Marx e 16 no Ibirapuera.

- França é um dos designers brasileiros mais reconhecidos no exterior por conta do trabalho de transformação de resíduos florestais em esculturas mobiliárias. Já expôs no Miami Fairchild Garden e no LongHouse Reserve, uma espécie de museu ao ar livre em East Hampton, nos Estados Unidos.

- Uma de suas grandes vitrines é Inhotim (MG), que reúne mais de 100 peças que estão incorporadas em todo o espaço.

- No Canadá, promoveu workshops e produziu peças que serão expostas como mobiliário público em Vancouver. Possui peças expostas como arte pública, dentro da edição 2014-2015 da Bienal de Vancouver.

- Além de estarem presentes em coleções particulares pelos quatro cantos do mundo, suas esculturas mobiliárias costumam ser arrematadas em grandes leilões e estão expostas em acervos permanentes de museus como o da Casa Brasileira, em São Paulo, o Centro Cultural Correios e o Museu do Açude, no Rio de Janeiro.

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