Assassinos de Marielle

Economiaenegocios Artigos 04 Abril / 2018 Quarta-feira por Senador Cristovam Buarque

Diz uma lenda árabe que uma coruja invisível sai de dentro de pessoas assassinadas para perseguir os assassinos. O Brasil deseja que essas aves identifiquem quem matou Marielle e Anderson. Mas precisamos também buscar assassinos históricos invisíveis, que não apertaram o gatilho, mas criaram condições para o crime.

Há séculos, latifundiários e governantes deram passos na direção do assassinato de Marielle. Ao negarem a reforma agrária para ex-escravos e escolas para seus filhos, conduziram milhões de excluídos ao desemprego, ao desespero, à violência, criando um país ineficiente e injusto.

Marielle foi morta por bandidos, mas os assassinos não cabem em um carro: são governantes que ao longo de décadas se negaram a fazer as reformas de que o Brasil precisa. Em vez disso, corromperam prioridades, negaram escola de qualidade e assistência à saúde.

Marielle e Anderson foram mortos por sete tiros de pistola e cinco séculos de injustiças e ineficiências. Esperamos que as investigações descubram quem atirou, que a justiça julgue e os condenados sejam punidos. Mas isso não basta.

Será preciso que cada brasileiro assuma a luta de Marielle contra os assassinos históricos, transformando o Brasil em nação com economia eficiente e democracia estável, com oportunidades iguais para todos, sem preconceito, respeitando a diversidade de religião, raça, orientação sexual.

Que a polícia e os juízes cuidem dos assassinos e que os cidadãos e eleitores cuidem dos culpados históricos. Que os assassinos sejam presos e que o Brasil seja reformado.






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