A ineficiência é injusta

Economiaenegocios Artigos 14 Março / 2018 Quarta-feira por Senador Cristovam Buarque

Uma economia pode ser eficiente e injusta, mas uma economia ineficiente não é justa. Repeti isso inúmeras vezes e reafirmo agora ao ver imigrantes venezuelanos que chegam em Roraima. Muitos viviam na extrema pobreza, mas entre eles não há analfabetos.
Estive em Caracas, em 2006, para lançar minha obra em espanhol “Um Livro de Perguntas”. Quando percorria as ruas da cidade, levava um papel com nome e endereço de uma livraria e mostrava a ambulantes, pedintes, pessoas que vagavam nas ruas. Todos foram capazes de ler o texto. Na época, a UNESCO declarou a “Venezuela Território Livre do Analfabetismo”
O primeiro compromisso de quem deseja construir uma sociedade justa é garantir a eficiência econômica com responsabilidade fiscal, controle dos endividamentos público e privado, sem interferência irresponsável no mercado, nem tabelamento de preços ou manipulação de taxas de juros.

Depois de 2004, Lula e Dilma se afastaram do compromisso de abolir o analfabetismo, que chegou a crescer em 2012. E, apesar dos alertas, o governo daqui, como o da Venezuela, passou a descuidar do compromisso com a eficiência econômica. Achavam que a justiça social não requer eficiência.
Foi essa visão que levou a Venezuela ao estado em que está. Foi isso e a corrupção que levaram o Rio de Janeiro ao colapso e podem levar o Brasil também, se o governo não aceitar que economia ineficiente não constrói justiça social.
Por isso, entre os venezuelanos que chegam, não há analfabetos; mas também não há ricos. Esses se beneficiam da economia eficiente e injusta nos governos de “direita” e se protegem na economia ineficiente e demagógica nos governos de “esquerda”.

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