Maria é um modelo de alegria para os cristãos

Economiaenegocios Artigos 29 Dezembro / 2015 Terca-feira por Padre Ari

O evangelista Lucas nos apresenta a figura de Maria aquela que acolheu com alegria o chamado para ser a portadora do Messias para toda a humanidade.
Ela sempre quis fazer a vontade de Deus dizendo: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a Tua palavra”. Através do “SIM” de Maria o “VERBO SE FEZ CARNE E HABITOU ENTRE NÓS”.
A cultura do “descartável” que chegou ao seu limite precisa aprender a vivenciar a fé como parte integrante do ser humano, como das diversas culturas que dão um colorido e sentido à vida dos humanos.
“A alegria de Maria é o prazer de uma mulher que crê e se alegra em Deus Salvador, aquele que levanta os humilhados e dispersa os soberbos, que enche de bens os famintos e despede os ricos de mãos vazias {...} Maria se alegra em Deus porque ele consuma a esperança dos abandonados”. (PAGOLA, 2012).
Este é o desafio para todos nós cristãos, mormente, os católicos e homens e mulheres de boa vontade.
Percebe-se em nossas comunidades cristãs, mormente católicas, muitos entraves que atrapalham o fluir da alegria no rosto das pessoas que Maria foi exemplo para uma Igreja que fomenta a “ternura maternal”, aos que nos procuram e que em muitas ocasiões não são acolhidos pelo excesso de regras, normas que não fazem parte da essência da fé autêntica, e, sim, como afirma o Papa Francisco: “...parece uma alfândega que tudo controla, impedindo a acolhida dos que necessitam de ajuda.
“Uma Igreja como Maria, proclama com alegria e a grandeza de Deus e sua misericórdia também para com as gerações atuais e futuras {...} transforma em sinal de esperança por sua capacidade de transmitir vida {...} sabe dizer “sim” a Deus sem saber muito bem para onde a levará sua obediência {...} uma Igreja que não tem respostas para tudo, mas que busca com confiança a verdade e o amor, aberta ao diálogo com os que não se fecham ao bem {...} uma Igreja humilde como Maria, sempre à escuta de seu Senhor {...} uma Igreja mais preocupada em comunicar o Evangelho de Jesus do que em ter tudo bem definido {...} uma Igreja atenta ao sofrimento de todo o ser humano, que sabe, como Maria, esquecer-se de si mesma e “andar depressa” para estar perto de quem precisa de ajuda {...} uma Igreja que anuncia a hora da mulher e promovendo com comprazer e dignidade, responsabilidade e criatividade feminina”. (ibidem).


“NINGUÉM É TÃO FELIZ QUANTO UM CRISTÃO AUTÊNTICO”
(Blaise Pascal)

Após vinte séculos de cristianismo parece normal nesse percurso, que nós cristãos deixamos acoplar inúmeros elementos secundários à fé regras, normas e leis, que travam a fluência de uma fé que liberta e nos dá alegria. Há um engessamento que se petrificou ao longo do tempo.
Há necessidade de revisão constante para não se perder a essência da fé, que nos traz alegria, realização e paz. Por isso, infelizmente vemos tantos irmãos no contexto da cultura atual que veem a fé como um estorvo para viver a vida de forma intensa e gostosa.
O que vem a tona em torno da vida dos cristãos, mormente os católicos, parece não demonstrar a alegria de viver a fé, e que a mesma contenha uma força decisiva para enfrentar a vida e a alegria interior. Nietzche, pensador crítico e mordaz dizia: “Os homens que dizem ter fé parecem como “pessoas mais acorrentadas do que libertas por Deus””.
Talvez seja o momento, nesse “Ano da Misericórdia”, fazer uma releitura de nossa conduta, para sermos testemunhas de um autêntico seguimento de Cristo assim como foi Maria. Costumo afirmar nas minhas homilias que não mais sabemos “sorrir”. Por quê?
E continuo: São três elementos com seus derivados, necessários para redimensionar a alegria da vida:
1. Humor
2. Alimentar-se qualitativamente bem
3. Dormir bem.
Desses três decorre a totalidade que envolve nossas vidas inclusive o apelo para o encontro com a Transcendência. O ativismo reinante em nossa cultura não favorece o encontro com o próprio eu, com os outros e com Deus.
O Cardeal John Henry Newman, inglês convertido ao catolicismo advertia: “Uma fé passiva, herdada e não repensada terminaria, entre as pessoas cultas, em “indiferença” e, entre as pessoas simples, em “superstição””. Maria é o melhor modelo da fé viva e confiante, pois a cultura contemporânea se encontra num patamar de incertezas, sofrimentos, tristeza e frustração, apesar de todo o conforto trazido pela tecnologia.
Os cristãos no hoje da história têm a grande tarefa de modificar essa melancólica realidade, ou seja, saber comparecer junto aos que podem estar precisando de nossa presença.
“Existe uma maneira de amar que precisamos recuperar em nossos dias e que consiste em “acompanhar ao vivo” a quem se encontra mergulhado na solidão, bloqueado pela depressão, apanhado pela doença ou, simplesmente, vazio de alegria e esperança”. (PAGOLA, 2012).
O teólogo da esperança Jürgen Moltmann afirma: “Reunimos as crianças em creches, instalamos os doentes nas clínicas e hospitais, guardamos os velhos em asilos, casas para idosos, confinamos os delinquentes nas prisões e pomos os dependentes de drogas sob vigilância...
Assim, tudo está em ordem; cada um recebe ali a atenção que precisa, e nós outros podemos nos dedicar com mais tranquilidade a trabalhar e desfrutar a vida sem ser molestados {...} procuramos nos cercar de pessoas sem problemas que ponham em perigo nosso bem-estar, e conseguimos viver “bastantes satisfeitos”. Talvez um dia Deus nos irá perguntar: Onde está o teu irmão?
É bom pensar!

FELIZ ANO NOVO – 2016

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