Centralidade da Espiritualidade Pascal

Economiaenegocios Artigos 15 Abril / 2014 Terca-feira por Padre Ari

A partir deste evento histórico-salvífico se situa o fundamento da teologia e a espiritualidade cristã que nos impele para o seguimento de Jesus, cuja vida humana e divina inserida na historicidade fez irromper para os cristãos e aos homens de boa vontade, o “NOVO” na temporalidade, ou seja, o “REINO”.
Esse é cheio de esperança tornando possível a vivência da justiça, da bondade e da verdade.
A partir desse pressuposto é que toda a vida da humanidade se torna renovada. Por essa razão é que o Reino implantado por Jesus na história, a transforma radicalmente e se articula por um sentido forte que se pode interpretar enquanto “...historificado no caminho de vida do próprio Jesus que, por meio da Ressurreição, realiza em plenitude o desígnio de Deus”.
(apud OTTEN, Alexandre – in Diálogo Aberto- 2013).
A fé cristã, segundo o filósofo Jean Ladrière, tem como signo dos signos o Jesus histórico encarnado no “humano”. Essa experiência crística em nosso imaginário fornece e facilita a vivência espiritual como a apreensão do sentido de Deus, de Sua existência, de seu amor pelo ser humano, pois temos um “sinal” concreto: Jesus Deus e homem.
“Na leitura cristã da história da salvação como ação de Deus, possui centralidade a mensagem de Jesus sobre o Reino de Deus, enquanto soberania do perdão, da misericórdia e do amor”. (apud FRANÇA MIRANDA, Mário – in ibidem). E continua: “O Reino, o programa amoroso de Deus para a humanidade é uma realidade abrangente, projeto livre e gratuito de Deus, que gera o sentido último da história”.


O AGIR PRÁTICO DE JESUS NA HISTÓRIA NOS FORNECE A LIÇÃO E QUE ESPIRITUALIDADE AGRADA AO PAI!

“O discípulo de Jesus é aquele que se distingue por conhecer e aceitar numa entrega pessoal a revelação da generosidade de Deus para com todo o gênero humano pode definir o caráter e o sentido de sua vida, um sentido que subjaz a toda história”
(apud SEGUNDO, Juan Luis – in ibidem).
Ao focarmos a vida de Jesus enquanto humanado, é necessário frisar e destacar sua vida de uma doação contínua a todos que dele necessitavam especialmente os excluídos, discriminados, pobres, deficientes, doentes e etc.
Enfim é nítida a postura de humanidade no agir de Jesus, aliás, que é a característica fundamental deste “Novo Reino”.
No contexto contemporâneo parece algo irrealizável, para não dizer impossível frente à correnteza das ideologias individualistas e gananciosas que circulam em nosso meio, mas essa é a nossa missão de discípulos-missionários como deve ser base de uma espiritualidade concreta e autêntica, internalizando a Palavra de Jesus, suas atitudes, fortalecendo a vida interior através vivência dos sacramentos, especialmente a Eucaristia e da reconciliação que dão sustentabilidade para testemunhar Cristo e seu Reino no hoje da história. Por outro lado, levar uma vida cristã deve-se sempre ter em conta a importância da inculturação no processo da missão, ou seja, cada etapa da história tem suas peculiaridades e nelas é que temos que inserir o “Novo do Reino”, sem perder a essência do mesmo.
“A fé cristã em primeiríssimo lugar se manifesta como uma utopia (...) essa não é algo que se opõe ou nega a realidade. Ela pertence à realidade, na medida em que se expressa às potencialidades da realidade ainda não concretizadas, mas possíveis de o serem no processo histórico e no absoluto de Deus”.
(BOFF, Leonardo – Nova Era – p.53).
E continua: “A utopia que a fé judaico-cristã sustenta é essa: existe um sentido global e derradeiro da realidade (...) tudo está destinado a conservar-se no ser, a chegar a uma plena realização e a ser totalmente transfigurado.
A morte não terá a última palavra, mas a vida, e esta em abundância”.


OS POSSÍVEIS RISCOS E DESVIOS DO VERDADEIRO SENTIDO DA PÁSCOA NA CULTURA CONTEMPORÂNEA

A movimentação dos vários segmentos da sociedade, tais como o comércio, as lojas, as empresas, as fábricas enfim todo o tecido social no período que antecede a celebração da Páscoa da Ressurreição se agita.
Em princípio nada de mal e é positivo, pois também dinamiza toda a economia de mercado para esta grande festa cristã.
Por outro lado, é preciso frisar que a simbologia usada para celebrar a páscoa é rica.
1.Coelho= simboliza a fertilidade e a esperança de vida nova.

2. Ovo= Assim como o coelho o simbolismo dos ovos está relacionado com uma vida nova e com a fertilidade.

3. Peixe= É o mais antigo dos símbolos de Cristo.

4. Cordeiro= Representa Jesus que foi crucificado pelos nossos pecados.

5. Círio Pascal= Vela que ficam gravadas as letras Alfa e Ômega significando que Deus é “princípio e fim de tudo”.

6.Girassol= Simboliza o sol e representa a busca da luz que é Cristo Jesus.

7. Sinos= Anunciam nas Igrejas Católicas a Ressurreição de Cristo no Domingo da Páscoa.

Toda a simbologia pascal sempre deve ser transmitida às novas gerações com o significado cristão, pois há outros símbolos que se misturam aos sinais cristãos e jamais podem ofuscar a centralidade e a essência do sentido da Páscoa cristã, ou seja, a Celebração da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo que deu sua vida para reatar a amizade do humano com o Pai que pelo pecado do orgulho desviou-se de Deus.
A representação teatral que em muitos lugares são feitos para relembrar esse momento da vida de Cristo, jamais poderá transmutar o verdadeiro sentido teológico da fé cristã.
A tendência de a cultura moderna mostrar às novas gerações um Cristo sem cruz e dessacralizado com teor folclórico é algo a ser refutado.
É inaceitável querer afastar o sentido do sofrimento na vida das pessoas, pois faz parte da essência antropológica e Cristo na Cruz confirma:
Não existe “Salvação” sem passar pela cruz na existência humana. “O Mistério da Redenção consiste em que tenhamos coragem de encarar na cruz a tragédia da vida humana”
(SILVA, Ari A. – Economia a serviço do homem- p.108- 2010).
E continua: “Só quem se dispõe a abrir o coração e deixar a cruz das contrariedades da vida e assumi-las, poderá dar frutos de vida e salvação, e, com certeza, se beneficiará do amor infinito que o Pai do céu demonstrou pela humanidade pecadora”.
Pense e Reflita!

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