As cidades fantasmas

Economiaenegocios Artigos 08 Fevereiro / 2012 Quarta-feira por Décio Baptista Pizzato

Veja abaixo a entrevista:



Ao ver as cenas dessa cidade chinesa e o seu grande Shopping Center vazios, a sensação é de cenário ideal para um filme pós-apocalíptico. O que me fez lembrar um velho filme com Charlton Heston, que se chamou aqui no Brasil de "A última esperança da Terra", de 1971. Em 2007 recebeu a sua terceira refilmagem, com o ator Will Smith, esse tinha como título "Eu sou a lenda". Para registro, o primeiro filme se chamou “O último homem da Terra". Todos em cenários pós apocalipse. Até hoje não esqueço as cenas do segundo filme, onde Charlton Heston andava pelas ruas de uma Nova York deserta. O personagem entrava nos cinemas, ligava o gerador e colocava os rolos no projetor, ficava sozinho assistindo filmes.

A construção, civil ou obras públicas sempre foram geradoras de empregos. Tão velho é isso que o presidente Roosevelt tirou os Estados Unidos do fosso da depressão pela geração de empregos em obras públicas. O economista Lord John Maynard Keynes pregava isso. A chamada Grande Depressão veio a seguir da quebra da Bolsa de Nova York, em outubro de 1929e já naquela época se alastrou pelo mundo todo.

Fica claro nesse exemplo chinês, que o atual ritmo de construção frenética tem como objetivo o de manter a economia aquecida pela grande demanda de aço, cimento, etc., além da geração e manutenção dos empregos, retirando a mão de obra do campo. Essa migração para as cidades abre espaço para substituição de uma agricultura atrasada para outra altamente mecanizada. Não se precisa ir muito longe nesta afirmação, a produção de alimentos só alcançou no Brasil o atual nível graças à utilização de máquinas. Para isso é preciso extensão de terras. Esvaziar o campo na China permitiria abrir os espaços necessários. Afinal, agricultura de subsistência gera pouco excedente para formar renda apreciável.

Voltando a reportagem sobre "As cidades fantasmas" fica bem claro que o problema está no grande fosso representado pelo valor pedido por unidade habitacional ou o de locação/venda de loja, no caso do Shopping. A renda dos interessados não é compatível com valor da oferta do imóvel e as condições e prazos solicitados. Quanto maior for essa distância, em matéria de tempo, pela transferência da população rural e a ocupação por venda do que está sendo construído, resultará apenas no surgimento de sub habitações, e também em favelas, como é mostrado na reportagem. Fica bem claro na reportagem que o que está sendo construído para moradia está fora do alcance da maioria da população.

Em outro trecho é apresentada a fala de um sociólogo sobre o aprofundamento das divisões sociais que poderia gerar uma revolta pela frustração.

Existem muitos precedentes na China. A mais conhecida das revoltas, foi a conduzida por Mao Tse Tung, que antes da II Guerra já via o potencial revolucionário dos
camponeses e com a derrota dos japoneses partiu para assumir o poder com a eclosão de uma guerra civil. Vitorioso assumiu o poder.

Mas, muito pouco conhecida é a guerra civil de 1850-1864, denominada a Rebelião de Taiping. Acredita-se que morreram mais de 20 milhões de
chineses, numero superior ao dos mortos na I Guerra Mundial. Essa rebelião liderada por Hung Hsui Chuan, mesmo não sendo vitoriosa, influenciou todas
as outras revoluções.

Por isso o meu comentário acima, sobre o ajuste do tempo entre esse crescimento imobiliário e sua magnitude no número de unidades ofertadas e a não existência de demanda com renda para comprar.

É difícil lidar com um país que tem mais de um bilhão e trezentos milhões de habitantes.

Essas incertezas fazer já existir um novo mapeamento global por parte das grandes corporações internacionais que estão colocando sobre outro ângulo o seu olhar sobre a China.

Para os que me leram até agora e já acessaram a reportagem da SBS, fique bem claro, a China não está à beira de um precipício como a Síria ou outros países da Europa, mas é possível pela leitura de dados que vão sendo divulgados e notícias oficiais que o governo chinês, altamente centralizador no seu planejamento, quer uma diminuição, ainda que leve, no crescimento econômico. Mas, como tudo hoje na China é em escala geométrica, como vão aliviar o pé do acelerador é a incógnita.

No artigo “O Ano do Dragão” consta um trecho da previsão dos astrólogos chineses: “Um regresso magnífico após o ano de recuperação do coelho e também que os anos do dragão fogo são especialmente temidos, porque são mais destruidores do que os dragões de outros elementos. No ano do dragão, as fortunas assim como os desastres virão em ondas maciças."

O que se espera é que essas cidades deixem de serem fantasmas, pois as conseqüências serão mais do que fantasmagóricas para o planeta.

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