O Real e o Euro

Economiaenegocios Artigos 05 Janeiro / 2012 Quinta-feira por Décio Baptista Pizzato

A União Européia é composta de 27 países, sendo 17 os que têm o Euro como sua moeda, e para 2012 o desafio não é apenas sobreviver a crise que continua, mas manter todos os seus membros

Quando essa nova moeda unificada, o Euro entrou em circulação em 1º. 01.2002 na ocasião em 12 países, alguns fatos já naquela época vieram à lembrança. Havia uma semelhança na implantação da nova moeda européia e a divisa brasileira, o Real.

Vale antes relembrar alguns fatos. Afinal, como brasileiro fiz parte de uma população acostumada com a troca de moedas, sejam por novas cédulas ou pelas carimbadas. De fevereiro de 1967 com o Cruzeiro Novo até 1º/07/1994 com a implantação do Real. Foram em 27 anos, sete denominações de moedas diferentes postas em circulação no Brasil. Donde se conclui que o brasileiro era um especialista experiente em novas moedas. O que não era o caso dos europeus.

Antes dos europeus já havíamos passado por uma moeda virtual, sem emissão física, foi a URV – Unidade Real de Valor. Tratava-se de uma moeda indexada a inflação que permitia a correção diária dos valores. Fazia parte do Plano Real e vigorou de 1º/01/1993 a 30/06/1994, quando o Real começou a circular no país.

Bem depois, em 1º/ 01/1999, a União Européia deu início a terceira e última parte da sua unificação econômica e monetária, criando a moeda única, o Euro, mas sem circulação física. Era dado o início naquela data das taxas de conversão fixas e irreversíveis entre as moedas nacionais dos países membros e o Euro.

Nascia então o Euro como uma moeda virtual semelhante com a nossa URV, guardadas as proporções devidas.

Por outro lado, quando o Euro nasceu fisicamente através de cédulas e moedas a substituição das moedas nacionais, também guardou a semelhança com o Real. No dia 1º/07/1994 aqui no Brasil bastava às pessoas procurarem as agências bancárias do país para trocarem o Cruzeiro Real, a moeda vigente que se extinguia, pela nova moeda, o Real. Na ocasião se convertia cada dois mil setecentos e cinqüenta cruzeiros reais por um real (CR$ 2.750,00 = R$ 1,00).

Assim como Banco Central do Brasil foi o guardião da nova moeda, foi criado um Banco Central Europeu, composto pelo Sistema Europeu de Bancos Centrais.

Outro fato na época veio a criar dúvidas na ocasião sobre a eficácia da nova moeda européia. Em 11/09/2001, alguns meses antes de ser iniciada a operação de troca, aconteceram os atentados terroristas ao World Trade Center, coração financeiro mundial, afetando todos os ativos, bolsas de valores e moedas do planeta.

No decorrer dos meses seguintes, até o final do ano de 2001, o mercado financeiro serenou e não aconteceram reflexos negativos na introdução física do Euro. Recordo que apenas na Itália e em Portugal ocorreram demoras para a troca das moedas, nos demais países a operação foi um sucesso.

Aqui no Brasil quando da implantação do Real tudo correu como previsto, sem tumultos, afinal éramos experientes em troca de dinheiro.

Mesmo sendo posto em circulação sete anos e seis meses antes do Euro, a credibilidade do Real não era igual. Nada como o tempo para colocar as coisas no lugar.

Foram criadas as Metas de Inflação, estabelecidos os superávits fiscais anuais a ser alcançado, juntar recursos para fortalecer as Reservas do País, criação do Fundo Garantidor do Crédito para as instituições financeiras e investidores, Depósitos Compulsórios e um sistema mais rígido dos que os então exigidos pelos Acordos de Basiléia I e II e muito mais. Eram as seqüências estabelecidas pelo Plano Real.

O Brasil entra em 2012 em manchete da mídia financeira internacional. O inglês Financial Times destaca em matéria sob o título “Compradores andam em manada rumo aos títulos do Brasil“. Onde consta o seguinte trecho “O país latino-americano, antes ridicularizado por sua hiperinflação e por uma constante crise de moedas, vendeu títulos em dólar por US$ 750 milhões (...) com um retorno de 3,449%”. Ao aceitar receber juros de apenas 3, 449% para papéis com vencimento em dez anos, os investidores mostraram que, neste momento, confiam mais na capacidade do Estado brasileiro de honrar suas dívidas do que na de algumas das grandes economias da Europa. Títulos da Itália com o mesmo prazo de vencimento eram negociados com um retorno de 6,9%; os da Espanha, com 5,2%.

O Brasil fez as suas lições de casa.

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