Francisco I

Economiaenegocios Artigos 13 Março / 2013 Quarta-feira por Décio Baptista Pizzato

A Companhia de Jesus foi fundada no contexto da Reforma Católica (também chamada de Contrarreforma). Os jesuítas fazem votos de obediência total à doutrina da Igreja Católica, tendo Inácio de Loyola declarado: "Acredito que o branco que eu vejo é negro, se a hierarquia da igreja assim o tiver determinado."

A Companhia de Jesus foi muito perseguida, as tendências anticristãs do século XVIII dirigiram contra a Congregação dos Jesuítas grandes combates, por julgá-la o mais forte baluarte da Santa Sé. A par de algumas queixas políticas mais ou menos fundadas, a Companhia suscitava ódios em razão da bem sucedida luta contra os jansenistas; oposição ao galicanismo e a consequente adesão do Papa. Além disto, tinha posição destacada nas côrtes como professores, pregadores e confessores e um certo predomínio científico manifestado tanto nos colégios como nas publicações.

Sob o Papa Clemente XIV, embora bem intencionado era indeciso e fraco, cedendo às pressões dos reis e principalmente da Espanha - através da bula Dominus ac Redemptor - obtida quase à força pelo embaixador espanhol Moniño, órgão central de quase todas as maquinações antijesuíticas, no período da supressão suprimiu oficialmente a Companhia em 21 de julho de 1773. O Superior Geral da Companhia, Lorenzo Ricci, juntamente com os seus assistentes, foi feito prisioneiro no Castelo de Sant'Angelo, em Roma, sem julgamento prévio, os demais foram obrigados a deixar a Ordem no que obedeceram.

Como Papa Clemente XIV deixou a critério dos soberanos a publicação da bula, a czarina Catarina, a Grande os conservou na Rússia e usou a ocasião para atrair para o seu país os membros da Companhia, gente de grande erudição, o mesmo se deu com Frederico da Prússia, na Silésia. Na altura da supressão haviam 5 assistências, 39 províncias, 669 colégios, 237 casas de formação, 335 residências missionárias, 273 missões e 22589 membros.

A Companhia de Jesus teve atuação de destaque na Reforma Católica, em parte devido à sua estrutura relativamente livre (sem os requerimentos da vida na comunidade nem do ofício sagrado), o que lhes permitiu uma certa flexibilidade de ação. Em algumas cidades alemãs os jesuítas tiveram relevante papel. Algumas cidades, como Munique e Bona, por exemplo, que inicialmente tiveram simpatia por Lutero, ao final permaneceram como bastiões católicos - em grande parte, graças ao empenho e vigor apostólico de padres jesuítas.

A companhia sempre teve martires ao longo dos séculos. No século XX nove padres jesuítas foram formalmente reconhecidos como heróis do Holocausto pelo Yad Vashem, a autoridade israelita em favor da memória dos Mártires e Heróis do Holocausto, por levarem a cabo todos os esforços possíveis para salvar e dar asilo a judeus durante a Segunda Grande Guerra Mundial.

Hoje em dia os Jesuítas formam a maior ordem religiosa da Igreja Católica.

Ao escolher o seu novo nome, Francisco I já demonstra que vem a ser, o início, o novo. Não será a continuação como um Pio XIII, um Paulo VII, um João XXIV ou até um Bento XVII.

Os jesuítas são os clérigos melhor preparados, mas de forte tempera. Foram o braço forte do Papa na Contra Reforma, que foi resposta à Reforma Protestante iniciada com Lutero, a partir de 1517.

Como todos os que estudaram em boas escolas sabem, a Reforma Protestante teve seu início como cisma em função de que em 1517 o Papa Leão X ofereceu indulgências para aqueles que dessem esmolas para reconstruir a Basílica de São Pedro. Ocasião em que houveram abusos e as indulgências eram vendidas, um comércio altamente lucrativo na época. Em decorrência da Reforma Protestante, o mundo cristianizado ocidental, até então hegemonicamente católico, viu-se dividido entre cristãos católicos e cristãos protestantes, estes não mais alinhados com as diretrizes da Santa Sé.

Embora Lutero não negasse o direito do Papa ou da Igreja de conceder perdões e penitências, ele não acreditava que dar esmolas seria uma boa ação, mas um ato semelhante à compra das indulgências e o perdão das penas temporais era puro comércio.

Passados quase seis séculos, a Igreja Católica se vê as voltas com vários escândalos, entre esses o de lavagem de dinheiro pelo seu banco, que leva o nome de Instituto de Obras Para a Religião. Dinheiro que vinha das grandes empreiteiras e até da Máfia Italiana.

Este ano de 2013 mostra tempos semelhantes aos que fizeram surgir a Reforma, só que desta vez para colocar a Igreja Católica no seu rumo certo não se pede mais o apoio da Companhia de Jesus, coloca-se um jesuíta no comando. Este deverá ser o papel de Francisco I.

Como tudo o que acontece no Vaticano, a limpa será muito sutil. Já não rolam mais as cabeças, agora são aposentados e retirados do caminho.

Obs. A minha análise é com base em ser um ex-aluno dos jesuítas e em fontes disponíveis na Internet.

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