Um ano que não existiu

Economiaenegocios Artigos 02 Fevereiro / 2015 Segunda-feira por Décio Baptista Pizzato

Este mês de janeiro de 2015 deverá ser aquele que jamais sairá da memória dos brasileiros. Pelas piores notícias que se abateram sobre o país. Depois do apagão que atingiu 10 Estados e o Distrito Federal, não se está livre de um racionamento de energia para o país. O racionamento não se limitará a falta de luz, o da água já está chegando para os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A seca terá um efeito dominó na economia, a começar pelas hortaliças e terá forte impacto a seguir na inflação que atingirá em cheio este ano de 2015.

A indústria brasileira está parada e comentar seria escrever um cartapácio desnecessário, quando basta só olhar ao redor.

A partir de agora para ficar claro da magnitude do estrago que foi feito neste país, colocarei uma enxurrada de números para ilustrar as afirmações.


Brincaram de administrar o país no período de 2011 á 2014. Os resultados estão aí. Aumento de impostos e combustíveis, aperto nos benefícios sociais. Vem mais.


O governo gastou o que tinha e o que não tinha. Tanto que o ano de 2014, as contas do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff fecharam com um déficit primário de R$ 17, 242 bilhões, resultado das despesas em alta e queda na arrecadação. Frutos da economia fraca e das desonerações fiscais distribuídas como benesses para setores privilegiados.

O otimista incurável do ex-ministro da Fazenda anterior, havia feito uma promessa de um superávit de R$ 80, 7 bilhões. As pedaladas feitas pelo tesouro Nacional não funcionaram mais.


Só que arrecadação de 2014 foi 1,79% menor do que a de 2013, já descontada a inflação. Apenas o mês de dezembro passado caiu 8,9% sobre dezembro de 2013. Foram arrecadados R$ 1,187 trilhão em 2014 contra R$ 1,13 trilhão no ano anterior.


A Dívida Pública Federal no último ano cresceu 8,15%, sobre 2013. A Dívida Pública fechou 2014 em R$ 2,295 trilhões, sendo a Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) de R$ 2,183 trilhões, já a Dívida Pública Federal externa (DPFe), que sempre existiu mesmo que o antecessor tenha se vangloriado de tê-la pago, ficou 0,83% maior, somando R$ 112,29 bilhões.


Se usar a estimativa de crescimento de 0,30% do PIB em 2014 feita pelo Banco Central (BC), que considero otimista, o país não teve crescimento na economia igual ao da Dívida Pública Federal.

O país não economizou para pagar os juros da Dívida Pública. Fato que não aconteceu nos últimos 13 anos, desde o início da série histórica do BC criada em 2011. O Déficit Primário (Arrecadação menos Despesas) foi de R$ 32,536 bilhões. No ano de 2013 houve Superávit Primário (Arrecadação menos Despesas, excetuados Juros) de R$ 91,3 bilhões.

Os números apresentados de déficit são diferentes em virtude de metodologias de cálculos feitas pelo BC e pelo Tesouro Nacional. Não importa a metodologia o governo gastou mais do que arrecadou.

Nem vou falar no "lucro" Petrobrás de R$ 3,1 bilhões e nem no corte dos ativos de R$ 88 bilhões. Se a direção da empresa não sabe as quantas andas, estando a deriva, fica difícil vislumbrar algum número crível.

Os combustíveis vão subir, a luz vai subir, a economia está estagnada, a construção civil será a primeira a sentir o impacto, a inflação vai subir assim como os juros da Taxa Selic. Virão mais maldades.

Como disse no início, se janeiro de 2015 foi assim, o que esperar para o resto do ano?
Um ano que não existiu?

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