A democracia e a economia de mercado nasceram no seio do Cristianismo

Economiaenegocios Artigos 10 Março / 2014 Segunda-feira por Padre Ari

Num contexto de praticidade fica o questionamento.
O que isto significa na atual cultura aberta e plural?.Não se pode omitir que essa visão global de “evangelização”, segundo o Papa Francisco, “...se confronte com inúmeras reações inquietantes. Por quê?
Aborda uma questão que interfere numa ferida que ao longo de anos tem criado vários conflitos, pois é uma visão numa direção integral e com certeza incomoda interesses individuais ou de corporações que já internalizaram um “modus vivendi” que lhes traz vantagens de natureza financeira.
Daí infere-se que: “Os sistemas parciais que se bastam a si mesmos como a economia ou a política se defendem das ingerências externas”(ibidem).
Ora, se em consciência queremos um mundo onde haja justiça para todos, e, portanto, sermos uma comunidade de povos irmãos neste planeta, é claro que não se pode admitir que o ponto de partida seja dos interesses de alguns poucos e de vida diferenciada dos demais, mas sim, ter a coragem e a ousadia de um olhar no conjunto da sociedade.
A crítica que o Papa Francisco faz e de forma implacável, é quando permitimos o envolvimento com ideologias consumistas, sem ter em conta o “cuidado” pela Gaia (terra) e seus habitantes que somos nós.


ECONOMICISMO MECANICISTA NÃO COADUNA COM UM FUTURO SUSTENTÁVEL E JUSTO

Ver o mundo do micro e macrocosmo no conceito do economicismo e da mecanicidade é destruir a dignidade da pessoa, como da ecologia com sua diversidade. Todo o desenvolvimento visto neste prisma não tem sustentabilidade para colaborar na manutenção da vida com toda a riqueza de seres vivos que nela vivem.
É responsabilidade de todos a superação de conceitos egoístas, pois urge a consciência para um espírito da alteridade e da inclusão numa economia de mercado que gere bens e serviços em favor de todos.
A economia necessita ser vinculada á valores, ao mercado regulado por critérios éticos e controlado por uma política do bem comum, ou seja, de um paradigma da inclusão que solidifica a real economia no seu sentido original, “oikonomia”= arrumar a casa.
Tudo isso exige um novo modelo do sistema econômico, o que irá possibilitar um paradigma com perspectiva favorável ao mundo novo e inclusivo numa sociedade globalizada.


A IDEOLOGIA DA ECONOMICIDADE REDUZ TUDO AOS INTERESSES DA EXPLORAÇÃO DO CAPITAL A NÍVEL GLOBAL

É preciso ter uma visão crítica e sutil para perceber que dentro do ativismo em que se vive, torna-se difícil perceber o veneno que é disseminado em todos os segmentos societários manipulado pelo “capital financeiro” travestido de uma economia real.
Esse processo sutilmente atinge e determina todos os âmbitos do tecido social, assim como também no “consumismo religioso” braço sagrado do capitalismo.
O que fica explícito nesta assertiva é o pragmatismo utilitário cujas pessoas se tornam mercadoria.
Portanto, sutilmente subjaz nos bastidores dos que detém o comando do “capital financeiro, uma ideologia cruel e enganosa com métodos criminosos de lavagem cerebral, onde as pessoas perdem aquilo que possuem de mais precioso em qualquer ser humano, ou seja, a identidade do seu “EU”. “A economicidade faz o ritmo da sociedade dependente dos interesses da exploração do capital” (ibidem).
E continua: “Fazer do capitalismo o parâmetro global baseando-se numa ideologia facciosa, que entende o progresso como processo de evolução do capitalismo, os quais os homens, as suas culturas e os seus estilos de vida se devem adequar é inaceitável”. (ibidem).
Por quê?
Não se pode conceber o capitalismo como um evento natural e muito menos tarefa dos homens e da política em adaptar-se a este sistema. “Pensar que existem em algum lado mercados puros, que fazem convergir o bem através da livre concorrência é mera ideologia (...) o capitalismo não se torna o modelo da sociedade porque não têm em consideração os indivíduos, os débeis e os pobres”. (ibidem).
E continua: “A imagem cristã do homem parte da liberdade e da responsabilidade e não podemos deixar espaço para tais ideias que provocam a desigualdade social; portanto, nada tem a ver com recusa da economia de mercado, que é necessária e sensata, mas deve servir o homem”.
Dentro deste contexto é que aparecem as bases espirituais da economia social de mercado. Os mercados na verdade são produtos da civilização, tarefas de gestão, embora a economia deva servir ao bem comum. As bases materiais da economia de mercado jamais podem indicar o objetivo da convivência dos homens. O Papa Francisco na Exortação Apostólica chama atenção de todos os segmentos da sociedade global para desenvolver uma política de ordenamento global da economia, orientada para o bem de todos.
É preciso desenvolver um programa de inclusão e assim, fica claro de que o futuro não será o capitalismo e sim, uma comunidade mundial que deixe sempre espaço ao modelo de uma liberdade responsável e que haja inclusão de todos os povos e grupos étnicos. Entretanto é preciso frisar que o respeito à cultura de cada um é imprescindível.
É um desafio para todos, mormente para a Igreja, no processo da nova evangelização.
Pense e reflita!

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