O desafio contemporâneo é ajustar e equilibrar as rupturas entre economia e política

Economiaenegocios Artigos 11 Outubro / 2012 Quinta-feira por Padre Ari

A independência e a ruptura da economia da atual sociedade e que não deixa de ser um continuísmo de ideologias e modelos econômicos já provou que não é possível continuar a atuar e remendar, sem buscar um modelo alternativo convincente e sustentável para gerir a “Coisa Pública”. Esse é certamente o novo desafio para a sociedade do momento. Essa insistência de muitos políticos e economistas em buscar algumas pequenas e insignificantes mudanças só retarda a possibilidade de uma mudança radical, cuja cultura está voltada muito mais para a tecnologia da informática que, significativamente, tem alterado o conceito de muitas questões relativas aos problemas de ordem política, social e econômica, sem deixar de falar na questão religiosa que sofre o impacto dessa transformação da “cibernética”.

O desempenho de qualquer político no gerir a "coisa pública" precisa nova consciência no que diz respeito à sociedade
O momento presente é de avaliar e refletir criticamente que a crise que vivemos é uma crise de rupturas. Nos livros que tenho publicado sobre economia, ética, espiritualidade e sociedade, frisei, com base na Encíclica “Caritas in Veritate” de Bento XVI, que o desenvolvimento, a economia e as empresas como um todo necessitam da construção de uma nova concepção de empresa e economia, além de dar um basta na dissociação da mesma com a sociedade. As rupturas são as causas mais elementares e convincentes de que economia não pode avançar e ter uma sustentabilidade se não houver como base a unificação de ambas. É dentro desse contexto que a crise da política está se manifestando, pois o velho conceito de democracia está baseado nos princípios da Era Industrial, uma realidade já superada pela Era da informática.

O novo conceito de democracia como representatividade, entra numa fase difícil dado a influência da nova tecnologia, mormente a cibernética, internet e etc. Outro dado a ser considerado é o fenômeno da globalização que tem enfraquecido todo o sistema democrático, de maneira especial a política, já que essa ficou atrelada ao poder econômico fragmentado e dissociado do bem comum da sociedade, criando suas regras e princípios próprios. Essa realidade gera uma distorção da economia, como também da política. Urge adequar à crise política essas transformações que estão num ritmo acelerado de mudanças. Por outro lado, a sociedade tem exigências prementes de natureza social e que a “Coisa Pública” não está conseguindo responder com rapidez. As transformações insufladas pela tecnologia de ponta pressionam, embora que por outro lado, o Estado não consegue responder por estar amarrado às malhas do poder econômico.

Devemos ter consciência de que: “As decisões políticas e o sistema legal, em geral, estão desajustados em relação às exigências da sociedade que vem surgindo dessas transformações”(CALDERA,2005-p.54). E continua: “A nova sociedade, do computador e da microeletrônica, a do mercado de serviços, vem substituindo a sociedade criada pela Revolução Industrial (...) e a nova sociedade, vem substituindo a sociedade criada pela Revolução Industrial”. Isso vem mostrar-nos que o desajuste é um traço dominante em nossa época. Uma significativa parcela da sociedade não acordou ainda para esse fenômeno transformista da era da informática. Precisamos urgentemente adequar a política e as instituições às transformações sociais e axiológicas produzidas pela Revolução Industrial para uma nova conceituação de democracia, de governabilidade e de participação popular. O fenômeno da globalização relativizou ao extremo o poder político. Necessitamos repensar o caminho de participação dentro do novo conceito de “política” e de “democracia”. O povo tem força, embora não tenha a suficiente consciência que tem nas mãos poder suficiente de mudanças substanciais. Temos que dar novas respostas a novas perguntas que, dentro do contexto cibernético, estão nos desafiando.

As novas gerações precisam ser mais criativas e inteligentes no sentido de estratégias para fazer acontecer uma nova democracia dentro de um conceito cuja tecnologia impõe a sociedade e, sem margem de dúvida, é um processo irreversível. Concordo com Caldera, quando afirma: “O destino da sociedade deve estar nas mãos de homens e mulheres que devem buscar soluções e tomar decisões necessárias, e não nas mãos de um mecanismo abstrato, independentemente das leis que regem, que não têm, nem podem ter, alguma consciência da situação, nem o sentido da finalidade do ser humano”(CALDERA,2005-p.55). E continua: “Se a economia não for política não será economia”. Como fazer com que a política recupere sua dignidade e a economia política, seu verdadeiro sentido? Em outras palavras: A ruptura exige novo reordenamento entre os fins e os meios da economia política para satisfazer as necessidades sociais. Por isso, Caldera é enfático ao afirmar que a única solução é “uma solução política”, mas, com determinação, a mesma tem que recuperar sua dignidade e responsabilidade no contexto socioeconômico. Em princípio parece algo impossível, embora o povo ainda não conheça sua força de transformação.
Pense e reflita!

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