A necessidade neurótica de ser o centro das atenções é um vírus que infecta todo o Ser Humano

Economiaenegocios Artigos 14 Maio / 2018 Segunda-feira por Padre Ari

Por outro lado, pode-se afirmar que esse fenômeno do vírus do poder, é tão antigo quanto a humanidade. É claro que isso não deixa de ser uma disfunção nas relações política socioeconômicas dos Estados-Nações.
Por outro lado, tal fenômeno não é algo novo, mas uma triste realidade com um destaque descomunal, ou seja, a ânsia por ter em mãos o poder. Sem margem de dúvida que tal fato coroe o coração de muitos, assim como impede o convívio harmônico entre as pessoas.
As características que retratam essa disfunção resumem-se em alguns sintomas: Orgulho, egoísmo, vingança, inveja, sede de poder, competição predatória, {...} até o reverso, a timidez, {que não deixa de ser} um dos tentáculos. Os tímidos se devem observar em seu comportamento, pois socialmente não querem se expor, mas tem uma postura subliminar “me esqueçam”. No entanto, são dois polos do mesmo conflito.

A cultura contemporânea é permeada por essas disfunções, embora na subjacência dessas condutas emerja uma postura sutil e perspicaz que alimenta tais comportamentos no qual aponto como vertentes: “o orgulho-poder e consumo” e o “ter”. No subsolo de tudo se esbarra sempre com a economia do livre mercado e impulsionado pelo nefasto capital financeiro. Ambos seguem uma ideologia subjetivista com interesses próprios como descaracterizando o princípio da justiça e da verdadeira economia que edifica de maneira saudável o todo da sociedade local e mundial.

Sempre é bom buscar a fundamentação ou a epistemologia dos transtornos ao acusar os devaneios políticos socioeconômicos que se vive hoje com maior destaque e tem contribuído para adoecer a economia dos Estados Nações. A história de um passado próximo recente deve ajudar a clarear certos descompassos tanto na economia quanto nas questões sociais do mundo em geral.
“A partir dos anos 80, com a subida ao poder de Margaret Thatcher e Ronald Regan, se instaurou em todo o mundo o assim chamado fundamentalismo do mercado {...} e de acordo com isto o mercado é tudo, e dentro de sua lógica encontra-se a solução dos problemas sociais”. (BOFF, Leonardo {com a colaboração de Werner Müller} – Princípio de Compaixão e Cuidado – O encontro entre Ocidente e Oriente – Vozes – 2009). E segue:
“Foi o fundamentalismo do mercado que conferiu centralidade ao mercado financeiro que vive de especulação em nível mundial, arruinando perversamente economias inteiras de países periféricos e fracos {...} a lógica do mercado {livre} reside na competição e nos valores individualistas {que} se sobrepõem aos valores sociais de comunidade”.
É nesse contexto que trago de volta a importância de saber distinguir o conceito de “indivíduo” da “individualidade”, pois o primeiro reduz tudo a coisas, ou seja, há uma reificação do próprio humano. Por outro lado, a “individualidade” requer uma visão de pessoa que tem dignidade, é um ser pensante e de significado que busca constantemente o sentido da vida.


NADA JUSTIFICA A PADRONIZAÇÃO PLANETÁRIA EM NOME DO MERCADO TOTAL PARA REGULAR POR SI SÓ A SOCIEDADE E PRODUZIR A JUSTIÇA SOCIAL

Não há como seguir um sistema político socioeconômico fechado em si querendo provar que o caminho do mercado livre é a solução para edificar uma sociedade igualitária. É um engodo, pois irá contemplar alguns e a grande massa permanece face à deriva de ondas gigantes que dominam as comunidades sob seus princípios e interesses.
“Os valores sociais expressam o interesse pelos outros; pressupõem que o indivíduo esteja inserido em uma família, em uma comunidade, em uma nação e na humanidade {...} por outro lado, é inadmissível que todos devam cuidar de seus próprios interesses individuais. Portanto: {fica explícito que} “...Num mundo caracterizado e competitivo, os escrúpulos morais constituem um obstáculo”. (BOFF, 2009)
Em face desse quadro, não é de estranhar a corrida desmedida para com o espírito de ganância, de poder, corrupção em larga escala, o aumento da desigualdade social, a pobreza que tende à miséria de muitos, o avanço de doenças, hospitais sucateados e etc.
É preciso frisar que todas as causas dessa disfunção, embora não se deva somente aos dois estadistas citados acima, não, mas foi uma política que acentuou essas disfunções na economia e no bem-estar de todo o tecido social local e mundial.
No contexto geral percebe-se que não existe escrúpulo de consciência ao conduzir um sistema que não contempla a todos e isso tem um alto preço social, pois: “...os inescrupulosos saem fortalecidos, o que é um dos aspectos mais perturbadores do sistema do mercado global. A globalização do mercado capitalista provoca uma grande centralização de riqueza em megaconglomerados que atuam à sua maneira no ciberespaço das geofinanças {...} este ciberespaço forma uma espécie de nova fronteira, um território do qual depende o destino de grande parte do mundo”. (BOFF, 2009).
O que deixa homens e mulheres que possuem senso crítico frente a esse quadro acima exposto, é a nítida consciência que este tipo de mercado excludente, cria níveis de pobreza e miséria mundial jamais visto, pois “...a exclusão é muito mais grave que a marginalização. Os marginalizados estão dentro do sistema, embora à margem, enquanto que os excluídos estão fora, ou seja, são sobras. As sobras estão continuamente defronte a morte e pior: morrem antes do tempo”. (ibidem). Auschwitz é hoje, cada dia.

Sugere-se um olhar para a realidade do Brasil hoje, especialmente num ano eleitoral. Os que estão no poder e afundados na ideologia da cleptocracia, salvo sempre as exceções, ainda sonham em serem candidatos para uma nova legislatura. Pergunta-se: Com que moralidade? É importante mais do que nunca que o cidadão brasileiro tenha consciência do que perpassa a gestão da “Coisa Pública” neste momento. O sistema vigente e obsoleto é tão esquematizado e perfeitamente pensado e estruturado que não permite espaço para soluções alternativas.
“O século XX caracterizou-se pela sua oscilação pendular que vai do totalitarismo de (Estado-Partido) ao totalitarismo de mercado. Mas, também, caracterizou-se por sua vontade de resistência contra os distintos rostos do absolutismo”. (CALDERA, Alejandro Serrano – Razão, Direito e Poder – Reflexões sobre a democracia e a política – Ed Nova Harmonia/Unijuí – 2005).
Sugere-se que cada brasileiro lance um olhar para a realidade de nosso país, já que se está em ano eleitoral. Os que estão no poder na atualidade, salvo sempre as exceções, estão afundados na ideologia da cleptocracia, e ainda, sem nenhum escrúpulo de consciência ao se candidatar para novamente gerir a “Coisa Pública”. É hora mais do que nunca de exercer a cidadania, principalmente através do voto consciente. É tempo de mudanças profundas e radicais nessa Conjuntura política socioeconômica.
O Brasil como nação tem tudo para dar certo, mas urge uma purificação e limpeza expressiva com a substituição da maioria dos estadistas que lá exercem a representatividade do cidadão, embora sempre há exceções. Por outro, essa limpeza deve acontecer também nos três poderes, condição “sine qua non” para um novo Brasil.
É bom pensar!

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