Liberdade e flexibilidade de mercado no conceito neoliberal são problemáticas para toda sociedade

Economiaenegocios Artigos 28 Novembro / 2016 Segunda-feira por Padre Ari

Tais conceitos aparentemente inofensivos se transformam numa armadilha sofisticada em favor do capital financeiro, ou seja, lançando seus tentáculos de domínio sobre a organização e o conjunto estrutural de toda sociedade.
O objetivo principal é transmutar os padrões sociais de solidariedade, amizade e convivência comunitária para a fragmentação focando no imaginário social o “individualismo” e “subjetivismo” com a finalidade de reforçar o objetivo último do mercado financeiro, ou seja, o lucro máximo sem ter em conta a dimensão ética-moral e social de tal procedimento. Pergunta-se: O que subjaz nos bastidores da ideologia da flexibilização e da liberdade?. “...visa “precarizar” e incapacitar as pessoas situadas em potenciais cabeças de ponte de resistência (...) o mais profundo impacto sociopsicológico da flexibilidade que consiste em tornar precária a posição daqueles que são afetados e mantê-la precária”. (BUMAN, Zigmunt – Em busca da política – Zahar – 2000). Portanto, toda a problemática está focada na dimensão de angariar mais lucratividade nos negócios sem nenhuma preocupação em promover o ser humano.

“O fundamento último de todos os regimes econômicos que se situam sob o signo da liberdade é, portanto, a violência estrutural do desemprego, do emprego precário e da ameaça de demissão que implicam”. (BAUMAN, 2000).
Toda incerteza e o medo está gerando um “medo coletivo e estressante” para o tecido social e da economia de mercado, aliás, asfixiada pelo capital financeiro que nada produz, e, por estar numa disfunção da verdadeira economia de mercado.
Isso tem conduzido à sociedade um comportamento doentio concretado em doenças como depressão, ansiedade, angústia e desvios comportamentais dos mais variados matizes por não possuir nenhuma referência segura.
Quando se tem uma referência tudo muda. Revendo a história se percebe que: “A solidariedade (ou, antes, a densa rede de solidariedades grandes e pequenas, superpostas e cruzadas) serviu em todas as sociedades como um abrigo e garantia de certeza (ainda que imperfeitos) e, portanto, de crédito, autoconfiança e coragem sem os quais o exercício da liberdade e a vontade de experimentar são impensáveis.
Foi essa solidariedade que se tornou vítima primária das teorias práticas neoliberais”. (ibidem).
É urgente desenvolver um novo conceito de economia de mercado, ou seja, onde o fim último seja a inclusão social e a igualdade de oportunidades, aliás, o que não se trata de igualitarismo, afinal o ser humano é livre e deve aguçar a criatividade. O igualitarismo é a negação da liberdade e da igualdade.


A PROFISSÃO DE FÉ NEOLIBERAL REZA: HÁ HOMENS E MULHERES ENQUANTO INDIVÍDUOS, E FAMÍLIA.

Nesse contexto colocado acima, fica explicito a eleição do “individualismo”. É um conceito contraditório dessa profissão de fé de tal ideologia.
É um linguajar enganoso e distinto da “individualidade” que consiste na autoconsciência reflexa, embora fosse transmutada na compreensão dos atores neoliberais como sinônimo de “individuação” que favorece os objetivos do capital financeiro como verdade última.
Por outro lado, há uma distorção descabida e clara de sociedade, assim como do papel da família. “Invocar a família, nesse contexto, é sem dúvida um gesto gratuito: atualmente espera-se que a família, como todas as coletividades, que opere estritamente nos limites estabelecidos pela racionalidade do mercado (...) em face de essa perspectiva, o conceito de família torna-se profundamente contraditório”. (ibidem).
O pensador Stuart Hall é muito feliz quando ao comentar tal visão afirma: “...ele dissolve os laços de sociabilidade e reciprocidade, solapando de modo muito profundo a própria natureza da obrigação social”.
E segue: “Mas a produção, manutenção e conservação dos laços de sociabilidade e reciprocidades, alimentando o próprio impulso de obrigação social, é a seiva da família: é essa atividade que faz surgir a família e a mantém viva.
O princípio constitutivo do individualismo desenfreado que permeia de alto a baixo a “anti-sociedade” neoliberal que dificilmente poderia deixar de afetar a família; o novo gerenciamento, assinala Hall, teve a ver com o modo “como ideias foram levadas sucessivamente a um setor institucional para o outro”.
E nesse paradigma problemático e confuso tudo foi induzido e “...transformado à imagem do mercado.
Não apenas sendo ‘mercantilizados’ ou privatizados, mas levados a imitar o mercado, com isso fazendo supor que há um só tipo de questões que se podem levantar: as que são colocadas pelo mercado. Que mundo é esse?
É preciso pensar criticamente as estruturas e paradigmas em que estamos inseridos!

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