O fundamentalismo do mercado

Economiaenegocios Artigos 21 Julho / 2014 Segunda-feira por Padre Ari

Já em outros textos publicados tenho alertado a todos que trabalham nesse ramo, aliás, importante para a nação e a sociedade, que os mesmos tenham muito presente que: uma coisa é o “mercado financeiro” que lidam apenas com papel e outra coisa é a “economia de mercado” que produz bens e serviços.
Toda a empresa necessita de capital de giro para poder funcionar com dignidade e investir no negócio para que o mesmo possa crescer e ter uma liquidez adequada para um bom funcionamento.
Por outro lado, é uma faca de duas pontas e que exige do empreendedor muita cautela, solidez, capacidade para discernir o que é importante neste contexto ou não, principalmente ao se tratar de mercado do dinheiro, que por um lado pode ajudar como pode criar uma bola de neve conduzindo o mesmo a um endividamento sem poder mais ter o controle sobre a situação.
Daí emerge algo triste, pois a sociedade precisa de novos empregos para as novas gerações que se formam nas universidades a cada ano em quantidades significativas e que precisam de um lugar ao sol. O que vem a ser o “fundamentalismo de mercado”? E que cuidado é necessário ter ao entrar neste mundo do mercado? Em primeiro lugar é bom tentar conceituar esse fundamentalismo.
“O fundamentalismo do mercado é apoiado e sustentado por processos de mecanismos sofisticados pela alienação da população através da manipulação ideológica e unidirecional da sociedade”.
(apud SIDEKUM, Antonio – in Interpelação Ética – Ed.Nova Harmonia ).
Essa realidade possui sutilmente embutidos em sua ideologia mecanismos perversos que travam o avanço saudável de uma economia de mercado que podem edificar a sociedade como um todo. Há uma resistência pensada e calculada para a não mudança desse paradigma vigente. Daí o cuidado para os novos empreendedores, muita cautela e sensatez, pois o que deve reger o desenvolvimento sempre deve partir da solidariedade, da justiça, tendo em vista o bem comum de todos.

A ÉTICA QUE LIBERTA, DEVE ESTAR ALICERÇADA NO CONSENSO DO BEM COMUM

O “construto social” que fundamenta um futuro de sentido, de realização das pessoas sem exclusão, jamais pode ser edificado sem ter presente o princípio da “solidariedade”, mormente, na economia de mercado.
Essa mudança de paradigma é o grande “nó” que trava o passo qualitativo para o diferente. Nesse momento é que sempre lembro a falta de uma boa formação filosófica na preparação dos futuros empreendedores, das lideranças políticas socioeconômicas e também religiosas.
A ausência da filosofia, que deveria ser obrigatória em todos os cursos do segundo grau e nas universidades, com certeza faria a diferença e deixaria sem base àqueles que há décadas dão sustentabilidade para uma filosofia que bloqueia a mudança de paradigma para o novo.
Por quê? Uma filosofia real e histórica que tem parâmetros, ferramentas adequadas para fazer uma análise crítica de muitos procedimentos que passam despercebidos ao grande público, com certeza, jamais a sociedade estaria nesse impasse ridículo, injusto, vergonhoso e alimentando com isso a desigualdade social.
O “construto social” que vivenciamos tem uma raiz histórica que parte de longe e que no decurso do tempo foi tomando forma e se petrificando como se isso fosse “a verdade”.
Para o capital financeiro não há nenhum interesse de preparar sob o ponto de vista de uma filosofia crítica as novas gerações, e, infelizmente se espalham os elementos que dão sonolência numa juventude com sangue novo que deveria provocar a mudança paradigmática. Que tipo de filosofia está faltando em nosso s educandários? Aquela que tendo consciência dos caminhos distorcidos da cultura contemporânea, procurando desenvolver um pensar crítico e mordaz ao “cogito solipsista cartesiano”.
Para um sair desse narcisismo provocado por esse “penso logo existo” é preciso pensar dessa forma: “A subjetividade não mais na solidão da ipseidade moderna e na certeza do Mesmo de Heráclito, que percorre como lado obscuro do labirinto do pensamento ocidental”.

(ibidem).
E continua: “A subjetividade tem uma nova dialética, que se fundamenta na intersubjetividade da relação “eu-tu”, segundo, Feurbach e Martin Buber, não mais como um monólogo do pensador, mas como uma filosofia nova, pela interpelação ética do outro absolutamente”. Toda a problemática que perpassa a atual cultura tem sua base numa distorção filosófica e que precisa ser repensada, pois as consequências respingam em todos os segmentos da sociedade. É certamente um desafio significativo que as novas gerações, as universidades terão que deixar de serem empresas rentáveis para responder aos desafios existenciais da própria sobrevivência da humanidade.
Ou há mudanças paradigmáticas ou haverá implosão provocada pelos próprios “humanos” na ânsia do ter mais, da ganância que não faz ninguém feliz. É hora de meditar e agir para um futuro melhor e mais justo.
As tragédias não são questões de culpar Deus e sim, o próprio ser humano na sua liberdade de construir sua história.

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