Esperando 2013

Economiaenegocios Artigos 16 Julho / 2012 Segunda-feira por Décio Baptista Pizzato

Daqui para frente, no restante deste ano aconteceram apenas ações de puro marketing e sem consistência. O pontapé inicial foi dado lá na Bahia, no batismo da Plataforma P-59, pela frase presidente, que mesmo lida faz doer os ouvidos, “Os juros nesse país estão num nível que nunca antes, como diria Lula, na história desse país eles atingiram”.

Com um Banco Central domesticado, o Copom tem feito cair a Taxa Selic, agora fixada em 8%. A conceituada revista britânica The Economist em reportagem desta última quinta-feira sobre o mercado de crédito brasileiro informa que "este não continuará crescendo no mesmo ritmo verificado nos últimos anos porque as famílias já estão endividadas e porque os bancos, com o aumento da inadimplência, ficarão mais seletivos." e vai mais além em sua análise, "Pelo fato de a expansão dos empréstimos ter sido um dos motores do crescimento do PIB em anos anteriores", o semanário acredita "que a freada no crédito será agora um dos motivos da desaceleração econômica. Como nem os emprestadores nem os mutuários estão propensos a aumentar muito a concessão ou tomada de crédito, o maior efeito da longa farra de crédito que durou uma década será uma ressaca na economia real."

E o governo continua estimulando empréstimos apesar do aumento da inadimplência e do nível de endividamento das famílias.

A verdade é quem já tem linhas de crédito aprovadas não as estão usando, sejam pessoas jurídicas ou físicas. Quem deseja não pode ter, devido a ter chegado ao limite ou por histórico de inadimplência. A indústria brasileira está revendo seus investimentos, adiando as necessidades de capital. Portanto, não se trata apenas de redução das taxas de juros, o Custo Brasil vai muito além disso. Passa pela brutal tributação no país sem um mínimo de retorno, como é o caos da saúde que atinge a maioria da população do país, da infra estrutura sucateada e de um ensino de baixa qualidade. Só para apontar apenas alguns, a lista é grande.

Ora, uma diminuição na atividade econômica tenderia fazer com que a tributação começasse também a diminuir. Não é isto o que acontece. No artigo A fotografia do PIB de 2011, escrito em 07/03/2012, tinha este trecho:

"Em 2011 o governo federal arrecadou R$ 993 bilhões, com um crescimento de 10,1% sobre 2010, enquanto isso o crescimento da economia foi de apenas 2,7%. Ainda assim existem estudos para aumentar a tributação sobre investimentos financeiros, que paradoxalmente financiam a Dívida Federal.

Está dando para entender? Não?
Estão buscando mais fontes para arrecadar, como se diz no popular, “precisam tirar leite de pedra”."


O mesmo está ocorrendo este ano, teremos um crescimento na economia 1,8%, sendo otimista, mas a arrecadação continua batendo recordes. No momento em que estou escrevendo, o Impostômetro está marcado R$ 815, 14 bilhões em arrecadação (Federal, Estadual e Municipal).

Ainda assim, os bancos privados aumentaram as metas de captação de investimentos, que o digam os gerentes de contas. Paralelamente, quem tem investimentos e deseja sacar passa a ser submetido a uma pressão nunca antes vista para que não o faça.

Fica uma pergunta, se está havendo uma diminuição na tomada do crédito, por que o quase desespero em captação e que não hajam saques? Afinal, os bancos brasileiros dentro do acordo de regulação Basiléia 3, estão em posição muito superior aos congêneres europeus.

A resposta só pode ser dada pela pressão sobre os bancos para aplicações em títulos da Dívida Pública Federal. Neste ano estão vencendo e serão rolados títulos da Dívida Pública Federal no montante de R$ 464,2 bilhões e esta poderá chegar ao final de 2012 em R$ 2,05 trilhões.

Acreditar no crescimento da economia em 2012 é como fazer o papel dos personagens da peça de Samuel Beckett Esperando Godot.

Portanto, só resta esperar por 2013.

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