A Banca ganha

Economiaenegocios Artigos 11 Maio / 2012 Sexta-feira por Décio Baptista Pizzato

Entretanto havia premência no envio dessa Medida Provisória para o Congresso, com o governo já trabalhando para que a votação ocorra até o dia 13 de junho. Pois se houver alterações os prazos serão dilatados até o dia 13 de setembro.

Ao ser aprovada a Medida Provisória ainda no primeiro semestre, o governo poderá continuar com a pressão pela queda na Taxa Selic. Lembrando que a atual cúpula do Banco Central e sua extensão no Comitê de política Monetária (Copom) neste governo são mais flexíveis da que esteve com os comandos da política monetária, nos oito anos do governo anterior.

Ao pressionar pela queda nas taxas de juros, o objetivo está no curto prazo. Em julho próximo vencerão R$ 132,7 bilhões nos títulos da Dívida Pública da União. Nos meses seguintes serão mais R$ 104,27 bilhões. Com a Taxa Selic em queda e os juros bancários também, as condições para a rolagem da Dívida serão favoráveis. Afinal as magnitudes dos valores pagos de juros ou na rolagem da Dívida sempre estarão situadas na casa de centenas de bilhões de reais. Comparada a atual Dívida Pública do país em termos internacionais representa Um Trilhão de Dólares.

Por outro lado, o governo não quer que os investidores em títulos da Dívida Pública sejam afugentados pela baixa remuneração dos mesmos. Para tanto não deixará que a inflação, que tem como meta em 2012 taxa de 4,5%, possa atingir o teto de 6,5%. Uma Taxa de Juros Básica em torno de 8%, descontada uma inflação de 6,5%, daria como resultado uma taxa de juros reais de 1,5%, o que poderia não ser muito atrativo para os aplicadores. Afinal trata-se de pesos pesados os detentores dos títulos da Dívida Pública.

O total da Dívida está assim distribuído, 31,5% com Instituições Financeiras, 25,3% com Fundos de Investimentos, 15,4% com Fundos de Previdência e 4,1% com Seguradoras, somando esses 76,3%. Já nas mãos dos estrangeiros estão 8,8%. Desta forma, esse grupo detém 85,1% de toda da Dívida Federal, algo em torno de 850 bilhões de dólares. Qualquer oscilação brusca afetará as garantias para os quais os títulos fazem lastro e reflexos no sistema financeiro.

Como foi amplamente divulgado, se a Taxa Selic cair para 8,5% ou menos, a remuneração será de 70% do valor da Selic mais a TR. Enquanto a Selic estiver, como está em 9% os ganhos continuar iguais. Se houver queda o poupador dessa nova Caderneta de Poupança terá rendimentos inferiores aos 6,17% mais TR estabelecidos pela Lei nº 8.177/91, a ser modificada.

Como sempre acontece com os trabalhadores, agora está acontecendo com os poupadores. Já que estamos em tempos de CPI envolvendo notório empresário do jogo, no curto prazo ganha a banca, ou seja, o governo.

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