A Fotografia do PIB de 2011

Economiaenegocios Artigos 07 Março / 2012 Quarta-feira por Décio Baptista Pizzato

Já no ano passado em 15/12/2011 no artigo O Ano Do Dragão colocava o seguinte trecho "Os números de 2011 não corresponderão às estimativas oficiais e muito menos a euforia dos cortesões de plantão. As coletas feitas pelo Boletim Focus, que tem o Banco Central como seu divulgador, apontava que o PIB deste ano teria um crescimento de 4,5%. Se chegar a 3%, louve aos céus. A inflação oficial, prevista pelo IPCA em 5,21% chegará a 6,5%. É clara a pisada no freio dos brasileiros, que está refletida nos primeiros números do quarto trimestre onde aparecem os sinais de recessão. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou em outubro queda de 0,32% ante setembro, na série com ajuste sazonal. Na comparação com outubro de 2010, o índice do BC mostra expansão da atividade econômica em 0,35%. Esse desempenho ficou abaixo do piso das previsões dos analistas que iam de expansão de 0,70% a +1,90%, na comparação entre outubro de 2010 com outubro de 2011."

Foi muito mais baixo o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2011 do que o governo alardeava e até que alguns analistas otimistas do mercado estimavam. As contas fecharam em um crescimento de 2,7% representando uma riqueza de R$ 4.143 bilhões. Os números dos setores da economia e as informações foram divulgados pelo IBGE nesta terça-feira, 6 de março.

Em 2010 o PIB cresceu 7,5% representando um montante de R$ 3.675 bilhões. Para ficar bem claro para os puristas, dei no início a explicação sobre como o PIB é calculado e reforçando que é a medida a riqueza de um determinado período, no caso a ser analisado o ano de 2011. A diferença de valores entre 2011 e 2010 é de R$ 468 bilhões.

Já está sendo anunciado um crescimento maior em 2012 e a culpa do que aconteceu é apontada para crise financeira, principalmente a européia e seu excesso de liquidez, que resultou no agora chamado de "tsunami financeiro".

Para se ter uma idéia dessa expressão os bancos comerciais europeus, receberam um trilhão de euros, a taxas ultra baixas do Banco Central Europeu (BCE). Após receberem esta dinheirama, depositaram 776,9 bilhões de euros, no próprio BCE. Se resolverem aplicar parte na Dívida Interna Federal, a taxa de câmbio vai lá para baixo, as importações se tornam baratíssimas, a indústria nacional que em 2011 teve um crescimento de apenas 1,6%, e negativo em 0,5% no último trimestre do ano, vai patinar, se não quebrar. O desemprego seria generalizado. A dívida brasileira e os juros pagos pontualmente são o mel para predadores.

O ministro da fazenda, Guido Mantega, já está anunciando corte nas taxas de juros, extrapolando a sua alçada, pois essa é função precípua do Banco Central, e também investimentos. Do orçamento é que não virão, pois já fizeram cortes. Terão que vir da Petrobrás.

Com toda a certeza os apaniguados da Corte do Planalto, vão comparar o crescimento brasileiro de 2,7%, com os 0,7% da Zona do euro, com os 0,8% do Reino Unido, os 1,6% dos Estados Unidos e mostrando ser superior aos 2% da Alemanha.

Vão também brandir nos ares o relatório da Consultoria IHS Global Insight, dos EUA, que informou que bastaria apenas um crescimento de 0,7% no PIB para que o Brasil ultrapassar a Grã-Bretanha, se tornando a sexta maior economia do mundo. Mas, quem analisar bem esse relatório vai ver que nosso país tem muito chão pela frente. Para o diretor da IHS Global Insight, Rafael Amiel, essa ultrapassagem não é em razão da economia, sim da valorização do real e um pouco de inflação, pois foi usado o dólar como parâmetro. E não dá nem para comparar os benefícios sociais e de saúde dos dois países.

Em 2011 o governo federal arrecadou R$ 993 bilhões, com um crescimento de 10,1% sobre 2010, enquanto isso o crescimento da economia foi de apenas 2,7%. Ainda assim existem estudos para aumentar a tributação sobre investimentos financeiros, que paradoxalmente financiam a Dívida Federal.

Está dando para entender? Não?

Estão buscando mais fontes para arrecadar, como se diz no popular, “precisam tirar leite de pedra”.

A explicação está mais embaixo, são os números do milagre do governo anterior.

Voltando ao PIB a diferença entre 2011 sobre 2010 foi de R$ 468 bilhões, a rolagem da Dívida Pública Federal, segundo Orçamento Geral da União (OGU) para 2012, é de R$ 655,46 bilhões e também pelo OGU terão que serem pagos de juros R$ 140,56 bilhões. O que daria R$ 796,02 bilhões. Venho falando há muito tempo sobre a Dívida Pública, que tem que ser honrada, senão seria parodiar o rei francês, Luiz XV: Aprés moi le déluge.

Para ficar ainda mais claro seguem alguns números, que expressam melhor.

DÍVIDA PÚBLICA 2011: R$ 1.866,35 bilhões
PIB DE 2011: R$ 4.143 bilhões
POPULAÇÃO EM 2011: 193.987.291
RELAÇÃO DÍVIDA/HABITANTE: R$ 9.620,99
VARIAÇÃO DÍVIDA PER CAPITA 2011/2010: + 8,32%
PIB/HABITANTE 2011: R$ 21.357,10

Enfim, é essa a fotografia do país.

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