A terra de origem e a terra prometida

Cultura História 24 Junho / 2013 Segunda-feira por Marília Daros

A região do Vêneto compreende Veneza, Verona, Vicenza, Treviso, Rovigo, Pádua e Belluno. Estes imigrantes fizeram predominar, com seu dialeto, o linguajar comum existente na região italiana.

O Trentino pertencia ao Império Autro-Húngaro. Era conhecido como Tirol e daí a denominação de tiroleses. Eram imigrantes de nacionalidade austríaca mas de cultura italiana. Mar tarde se incorporou este território à Itália.

A Lombardia tem seu nome graças a um povo bávaro que lá se fixou e constituiu um reino de grande expressão.

Do Vêneto foram 52% dos imigrantes. Do Trentino foram 15% e da Lombardia, foram 02% dos imigrantes.

Brasil. Terra do encantamento e dos sonhos. Aqui foi realizado o sonho da propriedade. Terras cobertas por imensas florestas, devolutas. Ali foram demarcados os lotes de diversos tamanho.

Quatro são os núcleos iniciais da colonização italiana no Rio Grande do Sul: CAXIAS DO SUL, antigo Campo dos Bugres, a que chegaram as três primeiras famílias em 20 de maio de 1875, segundo a tradição oral. CONDE D’EU, hoje Garibaldi, onde chegaram em 15 de novembro de 1875. DONA ISABEL, hoje Bento Gonçalves, em 24 de dezembro de 1875. E, SILVEIRA MARTINS, no centro do Estado, em 1877.

De Porto Alegre, de “vaporetto”, até São Sebastião do Caí ou Feliz. Daí, seguindo à pé, com as crianças em cestões em tropas de mulas. Já em Caxias, ficavam no Barracão até terminar a medição de sua colônia. O governo construía uma casa rústica, de taboas rachadas e parte da colônia era roçada para uma plantação inicial de milho. O colono recebia uma determinada ajuda que depois pagava. Dono de sua terra ele plantava e colhia. As terras eram boas. E então procurava os vizinhos. Organizava a Sociedade que vai ser agregada à Capela, ao Cemitério e à vida religiosa. As construções modestas das capelas são dedicadas aos santos deixados na pátria distante. Aos domingos, rezam o rosário. No início não existem padres e os que tem, estão distantes.

Na nova terra, namoram e casam. Nascem os filhos.

Quanto à instrução, os de origem austríaca eram os mais instruídos e quase todos, alfabetizados. As mulheres, em número maior, não sabem ler nem escrever. Nas tudo o que eles acumularam em suas terras da Itália, geração após geração, eles trazem consigo. Aqui, colocam tudo em prática. E a região de colonização italiana passou a ser caracterizada por eles, com força e determinação. Esta colonização foi se expandindo e ocupando novas terras. Foi o constante deslocamento da fronteira do povoamento.

As colônias foram divididas em léguas. As léguas em travessões. Os travessões em lotes numerados. Toda a região colonial compreendida na s Linha Nova Italiana, São Roque, Furna, Boa Vista, Pedras Brancas, Caracol, Serra Grande e Nova Renânia, foram povoadas de 1885 a 1900, por elementos emigrados diretamente da Itália e parte também da Colônia Caxias.

No levantamento desta área em 1917, consta que haviam 362 famílias italianas num total de 2.787 habitantes. Em 1928 já existem na paróquia, 11 igrejinhas e a igreja matriz São Pedro (em madeira), com sua casa canônica.

Mas há de vencer e convencer o tempo e nada impediu que o tempo passasse. Difícil hoje reconstituir os passos desta gente de fé. Mas seus princípios cristãos faziam com que se unissem e prosperassem. Mesmo onde o inverno rigoroso castigava a lida, eles mantiveram viva a chama, em longos encontros com os amigos e com Deus.

Gramado sempre teve toda a fé que precisava... O amor que precisava... O carinho de corações apaixonados...

Quando hoje, cruzamos o portal desta santuário de Pedras e Pedros, podemos sentir o respirar de tantas pessoas do passado e do presente, que em suas paredes emanam. É o trabalho dedicado de homens e mulheres que não mediram tempo nem espaço para que hoje, nossa cidade se orgulhasse deles.

Neste carinho que ficou de seus atos e de seus amores, fazemos nossas orações de hoje, na esperança de que possamos continuar merecedores deste orgulho de termos dado continuidade a estes italianos fortes e trabalhadores que Gramado homenageia em seu altar.

Gramado. A terra sonhada... a terra prometida para muitos italianos do passado.

Observação complementar

Este texto tem 18 anos. Hoje, depois destes anos todos, mais nenhum Seminário foi realizado para esta colonização. As pesquisas já deveriam ter publicados mais de uma dezena de livros.
As famílias continuam muito fechadas em suas histórias e, lamentavelmente, muitas desta histórias se perderam para sempre. Portanto, está mais do que na hora de que os descendentes italianos passem a publicar suas histórias e que elas não fiquem confinadas a instituições particulares, a empresas, a baús abandonados no tempo.
Pensem nisto.

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