Entrelivros

Cultura Artigos 26 Março / 2018 Segunda-feira por Juarez José Cognato

EM ALTO-MAR – Edmondo De Amicis.
Chega ao Brasil best-seller da imigração italiana rumo à América do Sul. Publicado em 1889, o livro narra o contexto das viagens de um povo que marcaria profundamente as identidades do Brasil, Uruguai e Argentina. Em Alto-Mar é a tradução brasileira do primeiro romance que trata o tema da grande imigração. Organizado como um verdadeiro jornal de bordo, conta os 22 dias que De Amicis passou no transatlântico que, de Gênova à Montevidéu, transportava 1,6 mil imigrantes italianos. A miséria foi o denominador comum da imigração massiva e justifica a escolha de partir como única via para escapar da fome. O Brasil deu
acolhimento a 1,2 milhões de italianos.

OBLOMOV – Ivan Gontcharov.
É um romance de 600 páginas escrito em 1859 sobre uma personagem que não quer se levantar da cama, sendo uma crítica à nobreza russa da época. Ele propõe uma discussão interessante sobre a não ação, a preguiça, a fadiga, remetendo para compreensões bem distintas de cada um desses comportamentos estigmatizados pela sociedade moderna. O livro foi tão popular na Rússia que o nome do personagem virou adjetivo para se referir a alguém preguiçoso.
Um trecho de “Oblomov”: “ Então, assim que ele estava acordado, ele concebeu o plano de levantar-se imediatamente, lavar o rosto e, depois de tomar chá, pensar profundamente, estudar várias combinações, anotá-las e, em geral, cuidar dos negócios seriamente. Durante meia hora ele ficou imóvel, atormentando-se com esta ótima resolução.
Então, ele pensou sabiamente que tudo isso poderia ser feito depois do chá, aquele chá, ele poderia, como de costume, lavá-lo para a cama e deitar-se para meditar. Então ele fez. Quando ele tomou o chá, ele se levantou um pouco e quase se levantou. Ele olhou para os chinelos e até começou a baixar um de seus pés, mas ele os afastou abruptamente”. ( tradução de André Lemos).

“ O Dorminhoco” e “A Guerra no Ar” – H.G.Wells.
De todos os autores que especularam sobre o futuro, o mais bem sucedido nessa empreitada talvez tenha sido o britânico Herbert George Wells (A Máquina do Tempo, O Homem Invisível ,A Guerra dos Mundos). Acabam de ser lançados os dois livros futuristas acima, ainda inéditos no Brasil. Neles Wells reflete o seu ceticismo em relação à massificação cultural. Não tinha nada de otimista em suas previsões e como biólogo sabia que nenhuma espécie sobrevive eternamente, inclusive os humanos. E ele acerta várias delas, como o êxodo rural, o abismo entre ricos e pobres, a mecanização do trabalho e o perigo do combate áereo para os civis, previsão que se concretizaria durante a 1ª Guerra Mundial.


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