Respeitar a pessoa é respeitar sua dignidade natural

Economiaenegocios Artigos 17 Julho / 2020 Sexta-feira por Padre Ari

Esse deve ser o imaginário e/ou paradigma em relação à questão do “livre mercado”, ou seja, não há uma lógica e, muito menos uma razão que justifique a dependência absoluta do Estado em relação às atividades e projetos de todo o cidadão.
Em contrapartida, se o Estado é o que decide tudo, sem dúvida, constitui-se uma falta grave em relação à própria dignidade da pessoa. Os meios de produção nas mãos do Estado significa um processo anômalo e corre o risco de transformar o conjunto da sociedade como todos os setores produtivos sejam de bens e/ou serviços como se os seres humanos fossem incapazes de tomarem iniciativas, em outros termos: é tratar os humanos como se fossem sempre crianças e dependentes em tudo.
Esse é a crítica que se deve fazer aos que desejam que os Estados Nações vivam sob um “sistema totalitário”, pois além de tudo é uma ideologia perversa, castradora e contra os direitos fundamentais do homem e da mulher de serem livres e viverem livres, embora sempre frisando que não se trata de uma liberdade absoluta, mas algo situada na finitude da temporalidade.
Por outro, os bens e serviços derivados da livre iniciativa e do espírito criativo dos cidadãos dentro do sistema do “livre mercado” cuja preocupação seja o desenvolvimento sustentável, isso traz como exige de cada cidadão, maior responsabilidade e uma visão fundamentada nos princípios de uma ética social e madura dos próprios empreendedores, embora e, sobretudo, cônscios de que a função do Estado sempre seja a de defender e promover os projetos socioeconômicos dos empresários, mas chamando para si a corresponsabilidade em sintonia com o Estado de Direito.
Percebe-se então visto neste contexto abertura em relação ao “todo” societário de que também estão preocupados em promover a igualdade social e inclusiva, colocando em segundo plano o interesse apenas do lucro e da eficiência econômica, mas alimentando uma visão humanitária da própria economia. Essa economia de livre mercado é sadia, embora, e, sobretudo necessita sempre ter um fundamento numa filosofia focada no ser homem e na justiça social.
Não há como promover uma sociedade inclusiva e justa do tecido social fragmentada com base na superada ideologia iluminista, aliás, já anacrônica e obsoleta com suas visões estanques da realidade, e para isso, se faz necessário “sine qua non” na formação dos novos empreendedores uma sólida formação filosófica, teológica, sociológica e econômica em todas as áreas do conhecimento nos centros educacionais para as novas gerações desde o ensino fundamental, secundário e inclusive superior já que o fim último é o bem estar e o bem viver de todo o gênero humano, mas também, de uma formação ecológica do meio ambiente, já que o humano também faz parte da natureza.
O novo pós-pandemia é repensar e conscientizar todo o tecido social em desenvolver esta consciência, afinal a política e a economia não possuem fim em si, mas sempre devem estar voltadas ao bem comum. Forma-se assim um princípio sólido de ética social para uma nova etapa da história.
Com essa reflexão volta-se a insistir na função social da propriedade privada, mas que, por outro lado, sempre tem diante de si o bem comum. “...a história e a experiência donde os regimes dos povos não reconhecem os particulares incluindo os meios de produção, ou se viola e impede em absoluto o exercício da liberdade humana em questões de dons {é} bom ter ciência que segue claramente que o uso da liberdade humana encontra tutela e estímulo no direito de propriedade”. (op.cit Mater et Magistra ,60 – in Zanotti pp43-44).
Fica o desafio a todo homem e mulher que tenham sensatez para superar as dicotomias absurdas em pleno século XXI, ou seja, direita x esquerda, comunista e socialista, totalitarismo e monarquia. É hora de se focar num futuro justo, inclusivo e humano, mas e, sobretudo na diversidade e no debate de ideias novas e construtivas sem fanatismos ideológicos que cegam como petrificam em alardes chavões destituídos se sentido. A vida segue a partir do diálogo e debate de ideias em vista do bem estar e do bem viver do “todo”. Construir o novo requer capacidade de ouvir o diferente e buscar um denominador comum, mesmo sem haver concordância plena. “As ideias movem o mundo” (Eduardo Prado de Mendonça).
É na confluência de ideias que se avança a uma síntese saudável e que edifica a sociedade. É bom pensar!

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