Números

Economiaenegocios Artigos 22 Junho / 2020 Segunda-feira por Décio Baptista Pizzato

O antropólogo Roberto da Matta em artigo com o título O ASQUEROSO ROUBO DAS VÍTIMAS, publicado em 17 de junho no jornal O Estado de São Paulo, coloca o seu amargor e diz que "Enoja, aos 83 anos, testemunhar essa iniquidade que rouba dinheiros, vidas e, além disso, confiança e esperança". Sobre o que está acontecendo agora no país.

Coloco abaixo a opinião forte de um intelectual de alta expressão no país:

"Meu instinto brasileiro de desconfiança, pois vivo num país de ladrões da coisa pública, acendeu a luz amarela na medida em que os nossos múltiplos “governos” foram autorizados a adquirir sem licitação, e com a mais justa urgência, remédios, aparelhos de respiração, máscaras e a construir hospitais e outras facilidades em função da expansão da Covic-19. Falei em suspender licitação, eu imediatamente pensei em corrupção. Lamentavelmente, não deu outra."

"... neste momento no qual rondamos o suicídio democrático em paralelo a uma pandemia... é o asqueroso roubo de equipamentos médicos de primeira hora pelas “autoridades administrativas” num habitual gangsterismo de família e compadrio, como é normal e banal no nosso sistema político."

..."se quem rouba dos nossos doentes são precisamente os eleitos em disputas regradas por todos os múltiplos tribunais cujos vocais não perdem a oportunidade de nos dar aulas de democracia, pois eles confundem sentenças com discursos, estamos todos envolvidos numa perversão"


O antropólogo Roberto da Matta é mais um a verificar com desgosto o que estão fazendo, com a Dispensa de Licitação, mais uma vez implanta-se a roubalheira, usando como desculpa a pandemia.

Confirma o que venho escrevendo desde 13 março com o artigo FREADA DE ARRUMAÇÃO e o seguinte de 7 de abril com OS ABUTRES
A grande mídia, que pode se chamar do Eixo do Mal, só tem interesse em divulgar o número de contaminados e com júbilo mórbido, o total de óbitos e com contagens diárias.

O conhecido jornalista Alexandre Garcia coloca em seu artigo ALERTA PARA QUEM ESTÁ TORCENDO PARA O CORONAVÍRUS que " é errôneo dizer que o Brasil tem o segundo maior índice em mortes pela doença, porque essa informação é equivalente a números absolutos e não proporcionais à população. Quando se fala em números proporcionais, o país está em 14º no ranking de mortes por Covid -19.

Usar números absolutos pode enganar as pessoas, por exemplo, daria para dizer que o Brasil tem quatro vezes mais recuperados do que a Alemanha."

No artigo OS ABUTRES colocava que somente em 2019 foram 40.219 mortes no trânsito.

Outro dado mostra que no ano de 2018, último dado atualizado de outros óbitos no país e que foram divulgados, os mais representativos foram as mortes de 223.757 por câncer e 175.950 por doenças no coração.

Neste momento coloco o registro que no Rio Grande do Sul, conforme o Portal Transparência com base nas informações registradas na Central de Informações do Registro Civil (Cartórios) foram neste ano de 2020, até ontem 16 de junho, 387 óbitos pelo Covid - 19, dentro de um total de 37.938 registros de falecimentos. Desta forma, pelo vírus faleceram 1,02% do total.

Seguindo com os números, no Brasil até a mesma data, haviam sido registrados 587.216 óbitos, desses 40.362 foram óbitos pelo Covid - 19 registrados pelo mesmo sistema oficial. O percentual diminui para 0,68%.

Lembrando que pela medição do IBGE até esta data a população do país é de 211.661.371 pessoas.

Continuando com os cálculos, morreram neste ano 2,77% da população total do Brasil e pelo vírus 0,19% .

Mas, para os cadernos especiais na mídia impressa, nos meios de rádio e televisão, é apenas os óbitos e contaminados o que interessa. Parece que ninguém mais no RS e no Brasil morrem de outras doenças como câncer, ou infartos e homicídios. Não são assunto os demais óbitos registrados além do Covid - 19.

Existe outro dado que por enquanto é mantido na obscuridade. A crise econômica e financeira, com o desemprego, fechamentos de estabelecimentos, que não reabrirão, o endividamento que se acelera, mesmo com uma leve moratória, e com dívidas que deverão em futuro serem pagas, com certeza muitos não resistirão a essa pressão. Essas estatísticas de óbitos vão incluir o número de suicídios, que por enquanto não está vindo a público.

Voltando ao artigo de Roberto da Matta, que com muita reflexão coloca um alerta que "neste momento no qual rondamos o suicídio democrático em paralelo a uma pandemia... Uma visão marcada pela imensa intenção – tanto à direita quanto à esquerda – de não “mexer” num “Estado” que vale mais para uns do que para todos... E mais que" comemos a ponto da indigestão o pudim da direita – um liberalismo sem competição e totalmente legalizado, tal como ocorria no velho Portugal das corporações de ofício –, mas (entrementes) também provamos em altas fatias o bolo da esquerda lulopetista."

Fica a pergunta, Qui curat de chao" (A quem interessa o caos?)
Concluindo, não são simples números.

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