A verdadeira Filosofia não se aparta totalmente da Religião, mas deve deixar aberta a pergunta à Fé

Economiaenegocios Artigos 11 Março / 2020 Quarta-feira por Padre Ari

Faz sentido nesse momento fazer alusão ao evangelho de (Mt 17,1-9), quando Jesus subiu o monte com Pedro, Tiago e João e se transfigurou diante deles. Ele mostrou a eles a fascinante glória que os esperava, embora, e, sobretudo teriam que passar pelo vale de lágrimas da história até chegar ao cume da existência humana: a ressurreição. Disse Jesus ao descer o monte: “Não conteis a ninguém esta visão, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos” (Mt 17,9).
O estranho nesta busca da verdade que acontece e se explicita através do conhecimento, da pesquisa científica e da tecnologia em si não se encontra apenas nas ciências, mas também na abertura de uma experiência do silêncio pessoal com o grande silêncio de Deus. Infelizmente não deixa de ser por parte de muitos cientistas, intelectuais e pensadores de diversas áreas do conhecimento, certa arrogância e prepotência dos mesmos, ressalvando sempre as exceções, de fecharem-se hermeticamente sobre o próprio pensamento com ideias preconceituosas, fixas e/ou reducionistas ante esse anseio pela verdade do homem e do cosmo. É preciso frisar continuamente que todo o conhecimento científico é provisoriedade. Sempre é preciso destacar que é com humildade que o ponto de partida da pesquisa científica, “ipso facto” sempre provém da metafísica e não da matéria em si, para que após e através de métodos seja possível verificar uma verdade, mesmo que sempre é parcial daquilo que se coloca na hipótese, ora, negar isso é negar o óbvio.
Tem-se percebido que há algum tempo tem surgido manifestações de um fenômeno próprio da cultura pós-moderna, onde pessoas se aglomeraram para criar uma Associação, cujos membros se declaram agnósticos e ateus. Por um lado, parece estranho unirem-se para declarar que Deus não exista, atitude esta um tanto estranha. Por quê?
Se Deus não existe qual o sentido de se congregarem para provar a não existência de Deus?
Qual a razão e o fundamento que explica a insistência em querer apagar da mente humana a dimensão da transcendência? Do que temem? Por que isso incomoda? Onde está a liberdade e o respeito para com os que creem?
A postura sensata desta convicção, no mínimo seria a indiferença e o respeito ao diferente. A opção que fizeram é um direito diante da liberdade que também receberam da “Grande Razão Criadora Universal do Bem”. Afinal biblicamente em (Gn 1,27) quando o texto reza que o homem e a mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus, na prática significa o dom da inteligência, da vontade e da liberdade.
Ora, torna-se estranho e curioso o comportamento de agnósticos e ateus que se juntam para processar alguém e/ou comunidade por edificar símbolos cristãos. Por que exigem a retirada de outros tantos símbolos religiosos de locais públicos?
O argumento que usaram, para uma determinada cidade, foi que se tratava de “dinheiro público” para edificar um símbolo religioso. No entanto, tal postura retrata muito mais um comportamento de arrogância e intolerância subjacente como querer reivindicar para si o “status” de que possuem a “verdade total”.
Esta atitude deveria estar ao menos vinculada a uma questão de cultura como a tantos outros símbolos de culturas do passado, também de natureza religiosa. Mas fica claro que não se trata disso, e sim, de intolerância a algo que lhes incomoda. Por outro lado, é curioso que precisam se juntar como associação para ter a força e o direito de interferir para impedir que se concretize uma obra pelo simples fato de ser religiosa. Só que na verdade por detrás disso há um propósito definido para o ataque revelando a própria pobreza e inquietude interior que não os deixa em paz.
Afinal, o que os incomoda tanto! É um contrassenso! Parece ser sim, uma visão míope, mesquinha e ridícula para justificar o injustificável. Se de fato tal associação tem preocupação pelo dinheiro público, porque não se manifesta e protesta também contra os salários absurdos dos gestores públicos com todas as suas regalias e que sugam a nação em proveito próprio? Dinheiro este, que daria para manter uma saúde com mais qualidade, uma educação de alto nível, pesquisadores nas universidades com recursos fartos para promover a ciência em benefício de todos e como remunerar melhor os professores desde as séries iniciais, ensino médio e os cursos superiores para todo cidadão.
Em contrapartida, há muita gente necessitada por este Brasil afora, com fome e falta de emprego, pessoas nas filas e corredores dos hospitais sem serem atendidas, salvo sempre as exceções, há desvios de milhões inclusive nos órgãos públicos que deveriam ter atitudes coerentes diante daquilo que se propuseram a defender na gestão da “Coisa Pública”, no entanto, pouco ou nada se protesta, ao contrário, há um silêncio sepulcral. Tudo parece ser normal!
É bom frisar que a Igreja Católica, sem querer menosprezar outras denominações, é a que possui um dos maiores trabalhos sociais em nosso país, como também em outras partes do mundo e sem fazer propaganda do trabalho em prol dos mais fracos, dos excluídos da sociedade, no entanto, isso não é reconhecido e muito menos divulgado pela mídia e pelos governos, salvo exceções, afinal isso parece não ter interesse.


UM ESTADO LAICO “IPSO FACTO” NÃO SIGNIFICA ATEU

Um dos aspectos que se faz necessário é saber que o respeito ao pensamento e a crença alheia. É uma questão no mínimo de educação e de liberdade de expressão do outro. Tenho muito respeito às pessoas com pensamento diferente, aliás, como possuo amigos que se declaram ateus, agnósticos e, no entanto há um bom relacionamento de amizade e respeito mútuo, por isso sempre digo, salvo sempre as exceções. Uma conduta sensata e madura nas relações interpessoais possui sempre o gesto de “grandeza baseado no respeito mútuo”.

Por outro lado, é de se perguntar: Por que diante de desvios de milhões de dinheiro público que favorece uma elite, a mesma associação não faz sua crítica e protesto? É vergonhoso e constrangedor, ressalvando sempre as exceções, a atitude de muitos gestores públicos que não têm sequer escrúpulos diante da situação dos “super-salários” e, ironicamente reclamando que é pouco e não chega para terminar o mês. Isso sim é debochar dos que pagam em dia os impostos e tarifas públicas.
Em contrapartida é preciso abordar outra disfunção dentre tantas, e que são escandalosas em nossa nação. Por exemplo, o “fundão eleitoral” que se trata de um montante expressivo de dinheiro público, aliás, que priva a população mais pobre e sofrida de recursos para a saúde pública, a educação e tantos problemas sociais num país com tanta riqueza, e, no entanto, percebe-se uma frieza impassível, com indiferença em relação à população em dificuldade. A verdade é que a economia está estagnada e não está respondendo aos anseios dos que apostaram, e continua-se a brigar não pelo bem comum, mas para manter o poder, salvo exceções, perdendo um tempo precioso ao olhar para o novo pleito das eleições 2022.
“...a secularização, no sentido de secularidade está associada à ideia de autonomia da esfera política em relação à esfera religiosa, entendida como secularismo, muito semelhante ou mesmo equivalente da ideia de laicismo, secularização implica a exclusão da figura de Deus como estruturador da vida social, como fonte de valores de base, para as discussões políticas e econômicas e até mesmo como hipótese para a pesquisa científica; a consciência secularista com pretensão exclusiva à racionalidade definitiva não aceita Deus como “Razão Criadora” que está na origem do cosmos e que lhe dá inteligibilidade”. (ASSUNÇÃO, Albino Rudy – Bento XVI - A Igreja Católica e o “Espírito da Modernidade” – Uma análise da visão do papa teólogo sobre o “mundo de hoje”- Ed. Paulus/Eclesiae – 2018 p.183). E segue:
“...a presença do secularismo é algo normal, mas a contraposição dele com a fé é uma anomalia”.
Sempre que publico algo sobre a cultura atual procuro olhar a dimensão da liberdade humana, dom recebido de Deus, ou seja, da “Grande Razão Criadora Universal do Bem”, mas que a pós-modernidade consciente e/ou não quer prescindir e fundamentar o progresso e o desenvolvimento na própria razão, realidade esta que não deixa de ser o fechamento consciente de pessoas, salvo sempre as execeções, para a Transcendência. Essa “pseudoautonomia” traz dentro de si o germe da decadência de uma civilização que paulatinamente vai se desintegrando com consequências imprevisíveis.
É bom pensar!

Categorias:   Notícias | Artigos | Economia e Negócios | Estilo | Cultura | Esportes