Natal: É a "Humanação" de Deus na história que nos traz esperança e sentido de vida

Economiaenegocios Artigos 19 Dezembro / 2017 Terca-feira por Padre Ari

A realidade em nível global não tem dado sinais alentadores de um novo construto político socioeconômico e também religioso que despertem luz no coração das pessoas.
O que significa em véspera de celebrar o “Nascimento do Salvador”, uma espiritualidade com base no Mistério da Encarnação, quando inseridos num contexto cultural e adverso que reduziu a fé e a religião para algo pessoal, individual e conscientemente prescindindo do contexto social? A verdade é que ainda a sociedade em muitos setores, não superou consciente ou/não ao se dar conta que o mundo não pode continuar a viver a fragmentação da realidade? Enquanto se frisar o “indivíduo” sempre haverá dificuldade para uma visão holística da ecologia humana e ambiental, e, os problemas hão de continuar, pois na criação tudo converge para uma totalidade.
É preciso frisar que o real sempre deve convergir para unidade. O mundo não foi criado fragmentado, mas tudo convergindo para a totalidade. O momento histórico deve conduzir para um mundo novo, embora se necessite resgatar o papel das religiões nesse processo de uma nova humanidade.
Santo Agostinho em uma de suas homilias disse:
“Há uma relação íntima entre a oração e esperança”. Ele define a oração como um exercício do desejo, pois o homem foi criado para uma realidade grande, ou seja, para o próprio Deus, para ser preenchido por Ele”. E segue:
“Seu coração é demasiado estreito para a grande realidade que lhe está destinado. Tem de ser dilatado. Assim procede Deus: diferindo sua promessa, faz aumentar o desejo; e com o desejo, dilata a alma, tornando-a mais apta a receber os seus dons”.
Percebe-se na cultura contemporânea o que as ideologias do século próximo passado têm acentuado a dimensão do ser humano não como um ser social, mas um indivíduo, sem identidade quando o mesmo sempre é ser de significado. Ora, todo o transtorno que no início do século XXI vive-se de forma confusa e complexa, é consequência de tais ideologias absolutizada como verdade última. A consequência é o racionalismo exacerbado, o destaque para o utilitarismo, o pragmatismo, a valorização absoluta do individualismo em detrimento da “individualidade”. Afinal o ser humano foi feito à ”...imagem e semelhança de Deus”. (Gn 1,27).

Outra triste consequência foi redução do ser humano a uma mercadoria como tantas outras, tendo como base as ideologias que são concepções parciais de mundo. Assim, o homem e a mulher perdem sua dignidade e atingindo a essência não somente da ecologia humana, mas também ambiental que é Nossa Casa Comum.

A verdade é que: “...a esperança bíblica do reino de Deus foi substituída pela esperança do reino do homem, pela esperança de um mundo melhor que seria o verdadeiro “Reino de Deus”. Esta parecia finalmente a esperança grande e realista do homem”. (Spe Salvi, 30)
O próprio tempo paulatinamente vem mostrando o engodo dessas ideologias secularistas e ateias como algo que trouxe progresso, novas tecnologias, mas não conseguiram preencher o vazio que perpassa o coração humano. Todo o homem sensato sente ante o vertiginoso desenvolvimento que algo não vai bem. Por outro lado, se acentua no tecido social, o medo, a insegurança, doenças sem diagnósticos, mortes, corrupção, roubos a céu aberto e descarados sem o menor escrúpulo, principalmente dos “Gestores Públicos” que nos envergonham como crimes hediondos em nome do dinheiro e do ter.
“Uma permanente fonte de ética são as religiões. Essas animam valores, ditam comportamentos e dão um significado último à vida de grande parte da humanidade que, a despeito do processo de secularização, rege-se pela cosmovisão religiosa” (BOFF, Leonardo – Ética e Espiritualidade – Como Cuidar da Casa Comum - Vozes – 2017).

Com certeza que ao se aproximar do Natal do Senhor Jesus Cristo, significa que Deus quis se “humanar” e, assim nos tornando participantes de sua divindade. Deus fez e faz sua parte, resta ao homem e a mulher de hoje repensar para não dizer “reinventar” a história do Planeta Terra, com critérios não mais economicistas, regido pela economia de mercado e o insaciável capital financeiro, mas com critérios de valores, das virtudes cardeais e teologais. Sempre há espaço para o progresso e desenvolvimento, embora não retilíneos e infinitos, mas sustentáveis baseados na justiça e na igualdade de todos.

FINAL DE ANO E INÍCIO DE NOVO ANO:

Urge paradigmas novos para um mundo de justiça e de paz.
“Sem uma revolução na vida do espírito (não necessariamente religioso), feita de amor, de cuidado, de cooperação e de responsabilidade coletiva que envolva outra mente (nova visão) e um novo coração (nova sensibilidade coletiva, em vão procurou soluções meramente científicas e técnicas. Estas são indispensáveis, mas incorporadas dentro de outro quadro de princípios e de valores civilizatório”. BOFF, 2017). E segue: “Sem fé e esperança humanas não construiremos uma arca para salvar a todos”.

O texto de Leonardo Boff acima abordado deixa claro que a cultura contemporânea precisa reinventar-se para a própria sobrevivência. As ideologias que prometeram sucesso prescindindo da Transcendência fracassaram como deixaram o ser humano num labirinto sem saída.

“Ou nos abrimos para o sentido ou implodimos para o nada, “ausência”. A abertura para a transcendência é que nos plenificará e frutificará para a plenitude do caminho no tempo e no espaço”. (SILVA, Ari Antônio – Análise Crítica do Tecido Social Contemporâneo – Ed. Letra&Vida – p.213). “Sem o sentido da vida, que é Deus, a vida se torna insípida”.
Por quê a cultura hodierna precisa novamente olhar para a importância da religião no equilíbrio do construto político socioeconômico?
“A ética fundada na religião possui, um valor inestimável por referi-la a um último fundamento, que o Absoluto, um Ser Superior ou Deus. Ligada à religião estão as atitudes de respeito a todo ser, pelo seu valor intrínseco e a dignidade humana, a veneração por tudo o que é sagrado, capaz de impor limites ao poder dominador”. (BOFF, 2017). E segue:
”Foi um erro estratégico e político, hoje reconhecido por notáveis analistas da situação mundial, os governos das grandes nações não terem valorizado o fato religioso. O espírito secularista e positivista relegava as religiões a coisa do passado pré-científico”.

É NATAL! Somos convidados a rever nossas escolhas sem prescindir das benesses da tecnologia. A sociedade precisa reaprender a harmonizar o progresso e o desenvolvimento, sem deixar a espiritualidade para o segundo plano, pois tudo converge para o centro: Deus.

“...mais do que a economia e a política a religião é a força central que mobiliza as pessoas e as leva até a entrega da própria vida”.
(S.Huntington e Peter Berger).

A TODOS OS LEITORES QUE PRESTIGIAM SEMANALMENTE MEUS ARTIGOS ATRAVÉS DO MEU BLOG, FACEBOOK, BELA, GRAMADOSITE
FELIZ NATAL! QUE A PRESENÇA DO DEUS MENINO NOS ABENÇOE A TODOS E AJUDE NA CONSTRUÇÃO DE UM MUNDO MELHOR!

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