Não a tentação pessimista e estéril da atual cultura e sim à "Alegria do Evangelho"

Economiaenegocios Artigos 20 Novembro / 2017 Segunda-feira por Padre Ari

Talvez nunca como hoje a Igreja e cristãos tem uma tarefa determinante para fazer a diferença. Se por um lado, as notícias que veiculam são de violências, mortes, assassinatos, significante número de jovens e crianças precocemente perdem a vida, as instituições sejam civis, políticas, socioeconômicas e eclesiais retratam um quadro sinistro, isso não deixa de ser um desafio para os discípulos de Cristo.
“A alegria do Evangelho é tal que nada e ninguém não poderão tirar” (Jo 16,22). Os males do nosso mundo e os da Igreja, não deveriam servir como desculpa para reduzir a nossa entrega e o nosso ardor”. (FRANCISCO, papa – Evangelii Gaudium – A alegria do Evangelho – Paulus/Loyola – 2003).
São desafios para crescermos em nossa espiritualidade cristã na medida em que o rumo que direciona o agir cristão é de abertura aos dons do Espírito Santo que dá um novo ardor se sentido ao realizar o que seja “estéril” para algo que frutifica o que aparentemente seja desertificação da realidade em que estão.
Se no caminhar do cristão inserido num contexto de transmutação de valores perdemos o foco do Espírito de Jesus, nos resta apenas o desespero.
É preciso ter ciência de que “...o olhar do crente é incapaz de reconhecer a luz do Espírito Santo que sempre irradia no meio da escuridão, sem esquecer que “onde abundou o pecado, superabundou a graça (Rm 5,20). A nossa fé é desafiada a entrever o vinho em que a água pode ser transformada, e a descobrir o trigo que cresce no meio do joio.

Com certeza é preciso ter ciência de não alimentarmos um otimismo ingênuo, no entanto ser realista não significa menor confiança no Espírito, nem menor generosidade.
Por outro lado, o homem e a mulher de bom senso e maduros, necessitam consciência de que nas entrelinhas da história contemporânea vem sendo costurada sutilmente a ideologia do indivíduo que sempre conduzirá o tecido social à desarticulação do conceito do humano como um ser social. Urge reconhecer quem é o inimigo que permeia a cultura hodierna insistindo na fragmentação.
No entrelaçamento das diversas ideologias que transitam no atual contexto social, há um tendência em obstruir a reconstrução de um novo paradigma social, ou seja, onde não tenha sequer possibilidade para recompor a história. O isto significa?
“O objetivo a ser alcançado é a reconstrução de um conjunto social vivo e ativo, o que passa por uma redefinição dos principais atores por si mesmos, por um bom conhecimento do inimigo a ser combatido e pela implicações comuns que existem entre os atores sociais. (TOURAINE, Alain Após a crise – A decomposição da vida social e o seguimento de atores não sociais –Vozes – 2011)
A ideologia do individualismo detonou toda e qualquer possibilidade de reativar as relações interpessoais. Sempre foi do interesse da economia de mercado e do insaciável capital financeiro manterem a sociedade desarticulada sob o imaginário do “coletivo”, já que o indivíduo como unidade pelo sistema de massificação é presa fácil.
Embora o cristão precise remar na contramão da ideologia vigente como o individualismo, pragmatismo e o utilitarismo, é bom frisar que o fundamento do sentido e da alegria sempre será a Boa-Nova do Evangelho.
É bom pensar!

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