Um alerta: Continua-se a insistir na ruptura entre o mundo econômico e o mundo social

Economiaenegocios Artigos 13 Novembro / 2017 Segunda-feira por Padre Ari

As ditas reformas que estão em andamento têm retratado tendências conservadoras e mais centralizadas. A metodologia usada é sutil e estrategicamente bem colocada para os menos avisados. Entretanto num olhar mais atento, há um distanciamento para o fim almejado pela sociedade.
Os Estados e Municípios como os diversos setores do tecido social novamente perdem a oportunidade de dividir o poder tanto politicamente como no modo de arrecadar recursos para gerir o Estado e o Município. Pergunta-se: onde fica na atual “pseudos-reformas” o novo sistema de descentralização e participação nas decisões que dizem respeito à nação como um todo?
Por um lado, observa-se de maneira lamentável que o momento atual, não seja para grandes reformas, e/ou, talvez sim, referindo-se para significativa parte da Câmara dos Deputados e do Congresso quando os mesmos tivessem a coragem de renunciar em bloco, mesmo com as exceções de pessoas idôneas que ali estejam lutando para o melhor.
Quem sabe seria o primeiro e mais importante passo para reconstruir um país digno, honrado, justo e inclusivo, e, certamente a tão propalada governabilidade não será afetada, afinal como está o país não tem rumo, afinal as soluções paliativas não significa governabilidade.
Motivos é que não faltam, pelo desgaste não apenas do ponto de vista político e econômico frente à nação, mas para moralizar e reparar a imagem abominável dos três poderes, que salvo sempre as exceções, são objetos de “gracejos”, veiculada constantemente nas redes sociais e pela mídia nacional e internacional. O Brasil precisa se levantar dessa situação humilhante com coragem, determinação e mudança de sistema para gerir a nação com lisura e transparência.
Entretanto, setores do poder econômico e algumas empresas, quem sabe beneficiadas celebram o que não há o que celebrar por poder se manter no poder e continuar o andar da “ciranda”.
No reverso da moeda um triste retrato com um quadro de treze milhões de desempregados pelo país afora. São escândalos que envergonham, mas a elite satisfeita com um pequeno aquecimento na economia, mas a custa de que e de quem? É bom frisar que nesse episódio parece que a preocupação não é a situação dos valores ético-morais da nação que se encontra em jogo, e, sim a economia de mercado e o capital financeiro como se fosse fim último.
Parece que toda a podridão, a desonestidade, os roubos e desvios de somas escandalosas não conta, e, sim o aquecimento da economia e do sistema financeiro que mexeu com alguns pontos na bolsa de valores. Será que todo cidadão de bom senso, pode acreditar numa mudança de paradigma desta conjuntura nacional, aliás, sem dúvida necessária, quando os “Gestores da Coisa Pública”, que se propõe a inovar o sistema de gerir a “Coisa Pública” salvo sempre as exceções, têm a coragem de se apresentar ao país como protagonista de um novo Brasil? E pior: mergulhados em escândalos que envergonham o país? Sem margem de dúvida, isso é considerar o cidadão no mínimo um “imbecil”.

A verdade é que para a reconstrução da vida política, econômica e social é um projeto que exige um trabalho conjunto com a participação de toda a sociedade e que tenham as mãos e conduta limpa. Todas as reformas até então que foram efetivadas sempre foram via “decretos”, “medidas provisórias”, conchavos entre os próprios partidos, como diz a imprensa: “Toma lá, dá cá”.
Atitudes essas, que não podem em nenhum momento se pode afirmar que é para o bem do país, pois o mesmo sequer tem a participação das forças vivas da sociedade civil, aliás, que deve ser a beneficiária última de projetos inovadores. Infere-se daí que gestores enlameados pela desonestidade não representam o anseio de uma nação que se denomina democrática, livre e soberana, ainda mais em véspera de novo pleito.

É de se perguntar qual o fim último que esteja por trás da pressa dessas reformas! É para o bem da nação ou para salvaguardar os interesses das elites que sempre sem aproveitaram desse país pouco politizado? A verdade é que se vive num contexto em que o normal é a mentira, os conchavos, as trocas de favores, o uso de dinheiro público para fins particulares ou oligárquicos, para negociações de poder pelo poder, o fomento de organizações criminosas muito bem aparelhadas, com dinheiro de impostos e tributos da sociedade civil?

Há um poder de fogo extraordinário e uma população no fogo cruzado sem saber o que fazer?. Como reconstruir um país dilacerado pelos desvios financeiros exorbitantes cujas somas da corrupção em termos de “dinheiro” resolveriam a totalidade dos problemas sociais, políticos e econômicos? Problemas de saúde, de educação, de transportes, de estradas no somatório dos desvios seria um país de primeiro mundo! E então?

É uma tarefa no mínimo curiosa e paradoxal. Como refazer um país desarticulado e enfraquecido em suas instituições? E pior: com os mesmos que há anos transformaram o serviço público em profissão! Não deixa de ser hilariante!

“É bom saber que: “...cada decisão econômica tem consequências de caráter moral”. (João Paulo II).

Ao citar a Encíclica “Centesimus Annus”, João Paulo II, sempre destacou a necessidade de um sistema com três sujeitos: O mercado, o Estado e a sociedade civil. Ora, o que se verifica na atualidade em nosso país é um contexto conjuntural de total confusão, afinal o que está jogo são os valores que poderiam dar sustentabilidade, no entanto, se verifica um povo cansado, desanimado e desmotivado. Recorrer a quem? Infelizmente, com exceções, os três poderes estão atolados na impunidade e no desmando em favor de quem dá mais. E os que procuram reagir são continuamente ameaçados. Para onde vamos? Até quando? E mais grave: para muitos a justiça não assusta mais, e assim, a sociedade continua a ver o filme dos escândalos em curso.
“A atividade econômica não pode resolver todos os problemas sociais pela simples extensão da lógica mercantil. Esta deve ter como finalidade a prossecução do bem comum, do qual se deve ocupar também e, sobretudo, a comunidade política”. (Caritas in Veritate, 36). E segue:
“A Doutrina Social da Igreja considera possível viver relações autenticamente humanas de amizade e camaradagem, de solidariedade e reciprocidade, inclusive no âmbito da atividade econômica e não apenas fora dela ou “depois” dela. A área econômica não é nem eticamente neutra nem de natureza desumana e antissocial. Pertence à atividade do homem; e, precisamente porque humana, deve ser eticamente estruturada e institucionalizada”.
O Brasil necessita reaprender a viver com espírito de solidariedade, de inclusão e de parceria. O único modo mais simples para países do tamanho do Brasil é buscar um novo sistema de gerir a nação, ou seja, o processo de descentralização, autonomia dos Estados, e participação nas decisões importantes que diz respeito ao tecido social como um todo. Esse é o desafio para superar os roubos de fortunas em espécie, a desigualdade, a discriminação étnica, a valorização da dignidade humana em todos as dimensões da vida humana e um rígido sistema de prestação de contas da parte de quem administra a “Coisa Pública”.

É bom pensar!

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