Empresas que ignoram os valores, também desprezam o ser humano e a si mesmo

Economiaenegocios Artigos 16 Outubro / 2017 Segunda-feira por Padre Ari

A sociedade há longa data vem adotando métodos de gestão que não mais coadunam com os novos tempos. No entanto, parece que ainda muitos empreendedores, ou não se apercebem de novos tempos ou vivem atrelados a sistemas metodológicos antigos para gerir seu negócio. Isso por medo do desconhecido ou por falta de preparo para os novos desafios.
Sempre é bom saber que a conceituação de “cultura” não se trata de algo estático, mas sempre é dinâmica. A mesma sempre sofre no decorrer do tempo um processo de mudança, até porque, com o avanço da ciência, da tecnologia e outros, “ipso fato” vai atingir e exigir a mudança nos diversos conceitos que definem a cultura. De sorte que engessar o “fazer” em conceitos fechados a tendência sempre será a implosão da organização.
Estudos elaborados por diversos “experts” na área e com formação em diversos campos do conhecimento têm frisado o quão é saudável às organizações a postura de se abrir a novos modelos na condução, com eficiência e senso de justiça no todo da organização. Entretanto, isso sempre quer supor a condução da organização regida por valores e princípios que favoreçam o conjunto de colaboradores, como também a própria empresa e/ou organização seja civil, estatal ou religiosa.

“...há pesquisas no universo empresarial que mostram que as companhias que se orientam por valores a longo prazo com o passar do tempo têm mais sucesso do que aqueles que só estão interessados em dinheiro rápido”. (GRÜN, Anselm – ZIETZ, Jochen – Deus, Dinheiro e Consciência – Vozes – 2012). E segue:
“Os valores tornam a vida valiosa. Em longo prazo, os valores conferem valor à própria empresa. Os valores também têm algo a ver com dignidade. Eles protegem a dignidade do ser humano (...) quem vivencia a si mesmo como valioso não necessita desvalorizar os outros (...) pode se alegrar no valor do outro e reconhece-lo e incentivá-lo. Quem, no entanto, vivencia a si mesmo como alguém desprovido de valor, precisa humilhar constantemente os outros, a fim de poder suportar a si mesmo”.

Grande parte de falência de empresas e/ou organizações têm seu ponto fraco na forma de gerir a “organização”. Por quê?
Por um lado, é significativo que ainda hoje essas empresas focam seu olhar unicamente no lucro rápido e fácil. Esse paradigma na conjuntura da política socioeconômica já não se encaixa no imaginário dos novos tempos, pois urge uma visão de maior amplitude que vai muito além do lucro. Por outro, percebe-se no gestor tradicional uma resistência de que “sempre foi assim” e, portanto, não se dobra como não tem a suficiente humildade para perceber que os tempos são outros e, que, consequentemente está a exigir novos paradigmas de gestão.
Percebe-se ainda que em empresas de natureza familiar há uma tendência para algo notadamente nocivo para a perpetuação da empresa, um amadorismo empresarial, aliás, que precisa ser ultrapassado para um empreendimento solidificado muito mais na profissionalidade com base em valores que fornecerão um fundamento teórico e prático e não apenas ancorado na “tradição”, embora a mesma não necessite ser abandonada, mas sempre agregar elementos e mecanismos mais sólidos, que lhes permite manter a continuidade sem amadorismos.

A “tradição” é importante enquanto ela traz a história do empreendimento, embora focando exclusivamente na tradição gera-se uma tendência ao empobrecimento, pois necessita de nova força e energia que lhe garanta continuidade.
Valor significa: força, energia. Em outras palavras os “...valores são fontes das quais haurimos energia, ou seja, expressam o “ser saudável” e “ser forte” (...) valores mantém “sadios” a nós e ao nosso convívio, e fortalecem nosso trabalho”.

Ao se analisar o porquê de tantas falências empresariais, percebe-se que o problema está muito mais na forma de gerir do que no que se chama de “crise”. Por outro, tem muito a ver com a figura do gestor que deve pautar sua conduta no que diz respeito às possíveis oscilações de mercado.


TER POSTURA DE LÍDER E NÃO DE CHEFE FAZ A DIFERENÇA EM QUALQUER ORGANIZAÇÃO

Se fizermos uma pesquisa minuciosa em nossas organizações veremos retratado, salvo exceções, muito mais a figura de “chefes” e menos de “líderes”. Isso numa época histórica em que as mudanças são rápidas exigindo do gestor habilidades e conhecimento com capacidade de agregar para a solução dos problemas nos diversos campos para cumprir as metas.

Que qualidade um líder hoje necessita para enfrentar as oscilações políticas socioeconômicas, como também religiosas?

1. Visão de futuro, compreensão, conhecimento de cada liderado.
2. Deve ter paixão no que faz e contaminar os liderados no objetivo proposto; saber valorizar as qualidades dos seus colaboradores.
3. É uma pessoa que dá exemplo e é íntegra. E isso faz com que a confiança lhe proporciona grande admiração, colaboração e respeito.
4. Tem características de honestidade, competência, é motivador, corajoso e sabe promover os outros. (fonte: SILVA, Ari Antônio – A Economia a serviço de Deus – Ed. KA&LÁ – 2010).

São características que fazem qualquer organização seja civil, empresarial, social ou religiosa fazer a diferença. Todo o imaginário que paulatinamente vai se delineando no atual caminho da história, está a exigir mudanças não apenas no que se refere a sistemas de gestão, mas construtos que levam em conta a totalidade da vida, superando aos poucos a fragmentação da realidade, que até então definiu as linhas de ação da sociedade.
Em época de pós-globalização as empresas devem estar atentas para algo novo, ou seja, ao entrar no mercado não apenas com produtos mais baratos, mas com competência ética. É bom relembrar a afirmação de um economista chamado Christian Seidel, do Dresdner Bank quando fez uma curiosa afirmação: “A aceitação social de uma empresa e de seus produtos tornou-se hoje um valor econômico”. De igual modo Anselm Grün acrescenta:
“...com o tempo, a sociedade há de valorizar somente as empresas em que ela reconhece uma clara orientação por valores éticos”. (apud – GRÜN, Anselm - in SILVA, Ari Antônio – A Economia a serviço do homem – 2010).
Portanto fica sempre clara a tendência para todo o tipo de empreendimento uma consciência de busca de crescimento sempre a partir de valores e princípios que dão à própria empresa um rosto de modernidade, baseada na dignidade do ser humano e numa visão comprometida com as questões sociais. Nenhum empreendimento a médio e longo prazo pode se edificar sem ter essa visão voltada para o todo, pois a tradicional visão de “lucratividade” é apenas um dos elementos que compõe a organização.
Sempre é bom pensar!

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