Todo santo tem seu dia

Cultura História 06 Agosto / 2013 Terca-feira por Marília Daros

Sempre trabalhei com a ideia contrária ao ditado que diz que “santo de casa não faz milagres”. Não é de milagres que vivem os santos. Eles vivem da fé. Fé que as pessoas tem nos seus dons mediadores. Na força de quem acredita e investe nos sonhos.
Então aquele ditado não me serviu nunca.
O que sempre busquei foi o trabalho e o meu trabalho é cultural, sempre foi. Nunca deixou de ser. E todos somos “santos de casa” e não fazemos milagres, fazemos ações que possam reverter ao bem comum. Todos somos comunidade.

Todos apostamos num ser humano melhor, na emoção e na paixão de viver.
Todos apostamos na fé que temos de fazer simplesmente, a riqueza cultural que temos.

Historicamente, para existir um objeto ou uma ação, é preciso que exista um ser humano com a capacidade de fazer. Não de ficar olhando. Eles são os modelos de uma comunidade. As pessoas que fazem, que acreditam na capacidade de tentar. E passam a ser, fazendo, agregadores comunitários. Dentro de vários campos, como artes, letras, construção, educação, saúde, etc ...

Também precisamos lembrar que todo trabalho que o ser humano desenvolve vem de seu interior, de seu dom de fazer. De ter se preparado para fazer.
Que nunca seu produto será dissociado de seu interior cultural.
Ele pode gerar uma nova identidade, mas nunca perderá o que está firme em seu DNA ou no seu aprendizado de vida. Por isto é necessária a desacomodação, a continuidade do aprendizado, a ousadia de refazer.
Arrumando a “casa mental” como se poderia dizer. Tudo pode ser lento ou muito rápido, mas pode acontecer.

No nosso mundo de correrias, não temos mais “dedicação exclusiva”, ou seja, tempo integral para uma ação necessária. Mas se acreditamos em algo, precisamos “mergulhar de cabeça” nesta crença, pois todo santo tem seu dia, e quem sabe, o seu dia está para acontecer, quando seu produto será definitivamente reconhecido pela força e competência de seu trabalho dedicado.

Precisamos, temos urgência, é questão prioritária a realização de um projeto cultural interior. Precisamos saber o que realmente queremos fazer.
Onde vamos colocar afinal nossos sonhos.
Se o diálogo não aconteceu, se irá acontecer, se nunca acontecerá, é uma questão a se pensada. Mas é necessária a ação que saia do papel para as ruas, sem vencedores ou vencidos, mas sim, repleta de boa vontade e competência. Acertando ou errando, mas fazendo. Agindo.

Abrir a porta para todos os santos. Sem milagres. Com a força apenas da fé em saber que todos temos dons e que todos temos direito a cidadania comunitária. Todos temos obrigação.
Sem “tirar o tapete” de ninguém, sem destruir o DNA dos antigos passantes, sem abrirmos a porta apenas para nós mesmos. Sem pensamentos partidários, mas políticos e públicos.

Então estaremos, com fé no nosso trabalho e de mãos dadas com outros sonhos, guardando nossa aldeia das invasões indignas e das tentativas ilegais de abandono da comunidade em favor dos delírios de grandeza.
Grande mesmo é quem divide, quem olha para os lados, quem atua no bem.
Grandeza é o ato de ser grande. É o adjetivo de um ser humano que se tornou grande por ter atuado no bem.

Boa semana no bem para todos.
Que o bem de todos prevaleça sobre o egoísmo de alguns.

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