A nossa identidade - Um bom caldo!

Cultura Artigos 24 Abril / 2013 Quarta-feira por Marília Daros

“A nossa identidade é não termos identidade.”
Esta frase é da Professora e Historiadora regional, Loraine Slomp Giron, uma pessoa extremamente ligada ao nosso passado colonial, autora de inúmeros livros sobre imigração, especialmente, italiana, no RS. Um nome competente e preocupado com a verdade histórica.
Conheço Loraine fazem muitos anos e já participei de muitos seminários onde ela apresentava trabalhos seus de pesquisa sobre imigrantes.
Aprendi muito com ela, como todos os que se chegam ao seus convívios educados.

Mas esta sua frase é a que mais marca meu pensar de hoje, pois afinal, como podemos ter uma identidade que não temos? Se não temos identidade, como ela existe então?

Esta mania que temos de rotularmos as identidades étnicas, certamente, não vale mais tanto para definirmos nossa população atual. Quem realmente pode dizer que tem uma identidade pura?
Quem não tem nenhum vestígio de outra etnia em seu sangue?

Faço um desafio gramadense agora para todas as escolas.

Olhem os dois sobrenomes de cada aluno matriculado este ano em nossa rede pública e privada. Listem estes sobrenomes pelas ditas etnias e façam um levantamento de qual das etnias, em percentuais, está mais presente nesta escola.
Outro ângulo: vejam quais são as combinações étnicas destes dois sobrenomes. Se são da mesma etnia ou se estão somados em um novo momento de quebra de identidade, misturados.


Irão se surpreender com o que afirmamos diariamente em nosso consumo de imagem.

Aquela identidade formativa antiga, do final do século XIX e início do século XX já não existe mais.

Estamos nesta fase de não termos identidade única, mas uma mescla de tantas, que até nem sabemos o que representa uma ou outra etnia. Uns aprenderam com os outros. Uns ensinaram os outros.
Cada um que chegou trouxe um pouco de contribuição.

Não podemos mais recusar esta verdade sob pena de estarmos sendo falsos com nossa própria identidade.

Eu sou pura, mas meus filhos já não são e meus netos vão continuar misturando esta saudável diversidade.

Sabem aquele “sopão de legumes” que é maravilhoso para qualquer idade?
Pois nossa identidade é exatamente a mescla dos sabores de todos os legumes em um único “caldo”.
Qual o legume que tem mais presença?
Qual é o mais gostoso?
Sabemos que é saudável, e, por incrível que pareça, os jovens não ligam muito, como sua própria identidade.
É a maturidade, é a necessidade de releituras que faz com que a nossa genealogia seja pensada e estudada.
Seria muito bom que este “caldo” fosse degustado mais cedo. Tem um ditado que diz que “isto daria um bom caldo!”

O Rio Grande do Sul tem esta fama.
O “caldeamento” das raças e é exatamente por isto que somos o que somos, fantásticos em nossa criatividade, mas enraizados em teimosias.

Como o frio está a chegar, quem sabe a gente toma este “sopão” com a família e conversa sobre isto.
E que tal se a nossa Festa da Colônia possibilitasse a degustação de um bom “caldo”.
Até o “brodo” vinha bem com este frio.
Afinal, nem só de “ravióli” vive o nosso povo...

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