O patinho feio das administrações

Cultura História 21 Fevereiro / 2013 Quinta-feira por Marília Daros

Uma das melhores definições sobre a cultura que já me deparei nos últimos 30 anos.
Não diria que é apenas o patinho feio das administrações públicas, mas nas empresas privadas também é assim.
As Leis de Incentivo à Cultura, nas esferas nacional, estadual e municipal, têm contemplado alguma ajuda à Cultura, mas de pequeno alcance e pouca duração. O apoio é efêmero, fugaz. Se dilui no término do evento e pronto. Se colocam e se retiram antes e pós evento. No rescaldo, fica nada.

Aliás, fica. Fica o terreno revolvido, flores arrancadas, propriedades invadidas, desordem urbana e pouquíssimo lucro da comunidade onde o evento aconteceu. Foram números compilados que garantem que o evento deu certo, como presença de público e sucesso de bilheteria.
E daí? Quem entrou e quem saiu do evento não levou mais do que um celular com fotos e fotos que vai deletar ali adiante porque não servem mais.

A cultura está sendo mal tratada. Tal qual o patinho feito na historinha infantil.

Se ela fosse bem tratada se poderia entender que é preciso tempo de investimento para que se possa ter um produto correto e digno do espaço em que ela é gerada. Se não se desse tempo ao patinho feio, ele nunca seria um cisne. Se a mãe desse a devida atenção aos filhos, o futuro cisne não se perderia no meio do caminho.
E melhor ainda. Se o patinho feio não fosse tão discriminado, os patos comuns jamais passariam o vexame de olhar o cisne e lembrar do descaso que deram ao irmão.

A cultura é um cisne.

Um conjunto de valores que precisam ser entendidos, estudados, agrupados e divididos com todos. Ela não acontece de uma hora para outra. Ela vive em cada vida. Agrega todo os dias. Soma. Valoriza. Encoraja. Dá tempo ao tempo com conhecimento.

Infelizmente, a maior parte dos que podem auxiliar a cultura, olham para ela como um produto só de consumo. Não investem na capacitação da cultura da comunidade. Não aplicam os incentivos fiscais em espaços de produção e leitura cultural permanente.

“Se a foto do meu produto não estiver dentro do livro, eu não ajudo e nem compro.”

É mais ou menos isto que tem acontecido. O produtor cultural e a cultura precisam ficar sempre na sombra do investidor, no egocentrismo da máquina administrativa, pública ou privada.

A grande e maior verdade vem agora.

A desculpa é que Cultura não dá lucro ou que demora muito para dar. Claro, tratando-a como o patinho feio da história, vamos virando apenas os patos feios e chatos das comunidades, sem nos darmos conta que somos cisnes.

E é este o recado para quem atua na Cultura.


Seja um cisne desde logo.

Não espere para ser tratado como cisne ao se comportar como um patinho feio, envergonhado.
Quem atua com comprometimento na cultura é cisne de berço.

E berço, por aqui, todos temos para nos orgulhar.
Não precisamos ter vergonha de nossa capacidade cultural.

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