Explode Coração

Economiaenegocios Artigos 20 Junho / 2013 Quinta-feira por Décio Baptista Pizzato

Em 16 de abril deste ano de 2013 escrevi o artigo SEM COMANDO, abordava que a economia do país estava a deriva. Logo no início coloquei o seguinte:
"O Fundo Monetário Internacional (FMI) rebaixou nesta terça-feira (16) a previsão de crescimento da economia brasileira para 3% em 2013. A previsão anterior da entidade era de 3,5%.

Rapidamente o governo pelas palavras da presidente Dilma Roussef, às vésperas da reunião do Copom, garantiu que a economia do país irá 'colher as sementes' da política do governo implantada nos últimos anos. "Eu queria dizer para vocês que não há a menor hipótese de o Brasil esse ano não crescer. Eu estou otimista quanto ao Brasil".

Terminava o artigo, desta forma:
"Com falas eleitoreiras a impressão que se tem, que neste país só tem palpiteiros na sua cúpula. Será que existe comando na economia deste país?"
Como dito acima, abordava apenas os aspectos econômicos. O que não pressentia, confesso esta falha, que não só havia falta de comando na economia, mas em toda a administração do país.

Quando aconteceram a corrida a saques do bolsa família em razão do boato sobre a extinção do programa, havia sido dado o primeiro sinal. Os nervos da população brasileira estavam a flor da pele. Pairava no ar aquela calmaria que ninguém sabe se virá um bom tempo ou uma tempestade.

O tempo que parece que está tudo parado. Os animais pressentem essas mudanças. Os humanos perderam essa sensibilidade milhares de anos atrás.

Continuando, já que estou falando em artigos anteriormente escritos, retorno ao que escrevi em 06.05.2006, que levou o título de ANESTESIADOS, AUTISTAS E CATATÔNICOS.

Foi desabafo sobre o que via acontecer com este país.

Os parágrafos abaixo citados espelham o que hoje acontece, foi o despertar daquilo que havia sido impingido e aceito pacificamente. Mas explodiu.

"O país está sendo desmantelado, leis estão sendo feitas para manterem fora das grades quem descumpre as regras mínimas feitas para manter a vida em sociedade. (...)

(...) "Os clamores da cúpula da Igreja católica são transformados em silêncio convenientes dentro de suas próprias bases. O mesmo acontece com a classe estudantil e os trabalhadores brasileiros, que antes pelos menores motivos se faziam ouvir pelas ruas. Seus corações e mentes ficaram naquele passado, e hoje estão esclerosados.

Fica, pois uma pergunta, a ação “marqueteira” que vem sendo realizada conseguiu neutralizar as reações dos eleitores para que haja uma aceitação de tudo o que está acontecendo nos tornando anestesiados, vivendo em estado catatônico e autista?"

Tudo agora começou com simples aumento nas passagens de ônibus.

Os meios de comunicações mostraram claramente o que veio a seguir de norte a sul do país e não só nas capitais.

Nesta terça-feira, 18 de junho, a presidente Dilma Rousseff voou para São Paulo para se reunir com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um hotel na zona sul da capital paulista. Pode-se dizer quase escondidos. Presentes estavam na reunião o marqueteiro do PT, João Santana, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante e o presidente do partido, o deputado Rui Falcão. A presidente depois iria se reunir com o catatônico prefeito de São Paulo para acertar os pontos finais de uma possível redução. O que tornará sem efeito o aumento aprovado pela prefeitura petista.

Isso me fez lembrar o final da música Cotidiano nº 2 de Vinicius de Moraes, que diz:
Às vezes quero crer mas não consigo
É tudo uma total insensatez
Aí pergunto a Deus: escute, amigo
Se foi pra desfazer, por que é que fez?
Só que o aumento das passagens foi apenas terem acendido o rastilho da pólvora que poderá explodir. O protesto acabou se direcionando também para as aberrações nos gastos com benesses para com legisladores, membros do judiciário, principalmente a farra descarada com obras dos estádios construídos ou "reformados", que ultrapassam a casa dos bilhões de reais e a corrupção generalizada. Em troca a população recebeu o total descaso com a saúde pública e suas emergências lotadas. A educação em frangalhos, a criminalidade livre e solta, com a população brasileira refém de tudo isso que está aí.

Não há como ficar calado.

Já que citei versos, termino com os do compositor e cantor Gonzaguinha:

Chega de tentar dissimular e disfarçar e esconder
O que não dá mais pra ocultar e eu não posso mais calar
Já que o brilho desse olhar foi traidor (...)

Não dá mais pra segurar, explode coração...

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