Um País Pacífico e Cordial

Economiaenegocios Artigos 27 Maio / 2013 Segunda-feira por Décio Baptista Pizzato


O assunto trazido pelo tradicional jornal gaúcho é de urgência urgentíssima com relação a providencias a serem tomadas.

No Brasil, anualmente, cerca de 33 mil pessoas morrem em decorrência de colisões e atropelamentos, o que dá aos acidentes de trânsito o segundo lugar no ranking nacional das causas de morte prematura. Mais letais do que ele somente as violências físicas, homicídios e latrocínios.

Estimativas do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) apontam que três quartos dos acidentes ocorrem em regiões urbanas.

Segundo estudo realizado pelo IPEA e pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), revela que se perdem com o problema, no Brasil R$ 5,3 bilhões por ano, apenas nas áreas urbanas, sem contar os acidentes rodoviários (os dados são de abril de 2003).

Desde 2001 a frota brasileira mais do que dobrou. Segundo dados do Denatran, o Brasil encerrou 2011 com uma frota de 70,5 milhões de veículos, entre automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, carretas e motocicletas. Este número é 121% maior na comparação com a frota que circulava pelo país em 2001 que eram de 32 milhões de veículos.

No mesmo período a população brasileira cresceu 12%. Levando em conta apenas os automóveis e comerciais leves, o Brasil conta agora com um carro para cada cinco habitantes, ante um para cada oito em 2001.

O maior avanço aconteceu entre as motocicletas. A frota cresceu espantosos 304%, saltando de 4,5 milhões de unidades em 2001 para 18,3 milhões no mesmo período.

A frota de motocicletas deve crescer ainda mais, principalmente agora que a Caixa Econômica Federal baixou as taxas de juros para o financiamento das mesmas.

Os veículos também tiveram desde 2008 um aumento no prazo e redução das taxas de financiamentos. Assim quem antes não podia ter acesso a um veículo foi este lhe colocado ao seu alcance.

A inexperiência na condução e a imprudência, aliadas que as ruas, avenidas são as mesmas de dez anos antes e o estado precário da maioria estradas no país são os fatores que levam ao caos absoluto atual.

Os dados divulgados pelo IPEA sobre o custo anual de acidentes são de R$ 40 bilhões anuais no Brasil com base em dados de sete anos atrás. De lá para cá não houve diminuição nesse custos, muito pelo contrário. Os dados do seguros pagos pelo DPVAT em 2012 alcançou o montante de R$ 1,2 bilhão.

O custo dos acidentes de trânsito vão desde a perda de produção e dos danos dos veículos, passando pelo atendimento médico hospitalar chegando ao impacto familiar. No que se refere a pessoas incluem custos de perda de produção, cuidados com a saúde (pré-hospitalar, hospitalar, pós hospitalar), remoção e translado.

Quanto aos veículos se referem a danos materiais ao veículo, perda de carga, remoção/pátio.

Quanto a outros custos se referem a atendimento da polícia rodoviária e danos à propriedade pública e privada e perdas com produção.

A matéria do jornal Correio do Povo mostra a segunda causa de mortes no país, a primeira como já dito é a violência a que estamos submetidos.

Sobre o assunto escrevi o artigo O custo da violência parte 1 e parte 2, postado na Gramadosite. No artigo de setembro de 2007, com base nos dados do IPEA de 2004, mostrava na ocasião que o custo da violência, foi de R$ 92,2 bilhões e representou 5,9% do PIB. Se a proporção continuar a mesma somada ao custo dos acidentes de transito, teríamos em 2012 um custo aproximado de R$ 300 milhões, algo em torno de 6,8% do PIB do país.

Enquanto o governo federal lutou para aprovar a MP dos Portos, as estradas que levam aos mesmos foram totalmente esquecidas. Como não bastasse o governo continua estimulando a compra de centenas de milhares de automóveis e motos.

Somando as duas principais causas de mortes no Brasil, podemos dizer sem nenhum receio de errar que o Brasil tem mais mortes que as totalizadas no mesmo período nas guerras do Iraque e Afeganistão.

O historiador Sérgio Buarque de Holanda escreveu a fundamental obra Raízes do Brasil onde buscou na história colonial as origens dos problemas nacionais, descreve o brasileiro como um “homem cordial”, isto é, que age pelo coração e pelo sentimento, preferindo as relações pessoais ao cumprimento de leis objetivas e imparciais.

Podemos ainda dizer que nos consideramos um país pacifico e cordial?

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