Mergulho

Economiaenegocios Artigos 11 Fevereiro / 2013 Segunda-feira por Décio Baptista Pizzato

Destaco da matéria duas afirmações que resumem o conteúdo. A primeira, de Fernando Rocha, sócio da gestora de recursos JGP, que diz "Estou na dúvida, e acho que boa parte do mercado está confusa", sobre a afirmação do Banco Central (BC) de que está preocupado com a inflação, e que analistas ainda vêem ambiguidades na comunicação da autoridade monetária sobre uma possível alta da Selic, a taxa básica, nos próximos meses.

A segunda do economista e consultor Alexandre Schwarstman, ex-diretor do Banco Central, "O BC é submisso e não está livre para aumentar o juro quando desejar". Assim vê a instituição atrelada as diretrizes do Planalto que cerceiam - embora não impeçam - a livre utilização da Selic para frear a alta dos preços.

Quantas vezes eu quis estar errado quanto ao conteúdo que escrevo nos meus artigos, mas tudo indica que o governo se esforça para não me desmentir.

Agora, leia o que está abaixo:

"Ao ser aprovada a Medida Provisória ( sobre as alterações nos rendimentos da Poupança) ainda no primeiro semestre o governo poderá continuar com a pressão pela queda na Taxa Selic. Lembrando que a atual cúpula do Banco Central e sua extensão no Comitê de política Monetária (Copom) neste governo são mais flexíveis da que esteve com os comandos da política monetária, nos oito anos do governo anterior.

Por outro lado o governo não quer que os investidores em títulos da Dívida Pública sejam afugentados pela baixa remuneração dos mesmos. Para tanto não deixará que a inflação, que tem como meta em 2012 taxa de 4,5%, possa atingir o teto de 6,5% (fechou 2012 em 5,84%, goela abaixo). Uma Taxa de Juros Básica em torno de 8%, descontada uma inflação de 6,5%, daria como resultado uma taxa de juros reais de 1,5%, o que poderia não ser muito atrativo para os aplicadores. Afinal trata-se de pesos pesados os detentores dos títulos da Dívida Pública."

Trecho do artigo A Banca Ganha, de 11/05/2012

Lembrando mais,

"Daqui para frente, no restante deste ano acontecerão apenas ações de puro marketing e sem consistência. O pontapé inicial foi dado lá na Bahia, no batismo da Plataforma P-59, pela frase presidente, que mesmo lida faz doer os ouvidos, “Os juros nesse país estão num nível que nunca antes, como diria Lula, na história desse país eles atingiram”.

"Com um Banco Central domesticado, o Copom tem feito cair a Taxa Selic, agora fixada em 8%."

"A resposta só pode ser dada pela pressão sobre os bancos para aplicações em títulos da Dívida Pública Federal. Neste ano estão vencendo e serão rolados títulos da Dívida Pública Federal no montante de R$ 464,2 bilhões e esta poderá chegar ao final de 2012 em R$ 2,05 trilhões (fechou em 2,07 trilhões).

"Acreditar no crescimento da economia em 2012 é como fazer o papel dos personagens da peça de Samuel Beckett Esperando Godot.

Portanto, só resta esperar por 2013."


Trecho do artigo Esperando 2013, de 16/07/2012.

Aí você que me leu até agora pergunta, o que tem a ver o título do artigo Mergulho, com a economia do país?

Ao ler a matéria sobre a inflação, que parece estar voltando, lembrei de versos do cantor e compositor Gonzaguinha, para música Mergulho, uma de suas maravilhosas canções, que tomo a liberdade de tomar emprestado para o título, pois diz :

"...é de novo, outra vez
sem ser novamente...

...é o passado somado ao presente...

...e é importante que saibamos
que a vida está mais que nunca em nossas mãos."

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