Presente de Natal

Economiaenegocios Artigos 18 Dezembro / 2012 Terca-feira por Décio Baptista Pizzato

O pior é que foi usado o Fundo de Investimentos do FGTS (FI-FGTS) para a Caixa se tornar sócia da Rede em agosto de 2010. Na época investiu R$ 600 milhões com o objetivo de adquirir 25% do grupo, o BNDES possui 16% e o empresário Jorge Queiroz Moraes Junior controla 59% das ações, direta e indiretamente.

Já em fevereiro de 2007, dizia então o seguinte no trecho final do artigo O Pior Investimento:
" O que parece estar por trás desta notícia é fixar na mente dos trabalhadores e dos formadores de opinião, que o dinheiro do FGTS recebe baixíssima remuneração. O que é verdade. Mas esta mesma verdade parece mais com um canto de sereia para atração ao FI-FGTS, como este fosse uma alternativa melhor. Caso haja participação do trabalhador em investimentos em infra-estrutura, daria respaldo aos valores que serão aplicados inicialmente na área. Como pode ser visto, em quarenta anos de existência do FGTS, apenas em dois momentos pode lhe ser atribuído o título de investimento. Mas se por força de expressão ainda assim alguém quiser denominá-lo, sempre foi o pior dos investimentos.”

Reforcei minhas afirmações em outro artigo O Trabalhador Tem Futuro?, este de outubro de 2009, ao comentar a Lei 11.491/07, informava que governo pretendeu acenar ao trabalhador detentor de quotas do FGTS com a possibilidade de remunerar com correção de valores pela TR acrescida de juros de 3%, para quem optar pelo FI-FGTS. Não havia nenhuma novidade pois é a mesma remuneração já paga atualmente às contas individuais do FGTS. Dizia na ocasião que o governo dourava a pílula informando que não haveria perdas de remuneração, já que a remuneração mínima estaria garantida. Entretanto, não falava quanto ao principal investido.

O risco podia existir.

Finalizava o artigo desta forma:

Por melhores que sejam as intenções dos congressistas, deve ser lembrado o velho ditado que diz "De boas intenções o inferno está cheio", fica claro que o objetivo final do governo, que parece estar por trás disso tudo adoçando a rentabilidade, é usar o dinheiro dos trabalhadores para financiar os seus emperrados projetos. Não basta estabelecer índices de correção, usando INPC ou IPCA, para melhorar a rentabilidade, mas criar melhores as normas de aplicação, gestão e portas para os saques deste FI-FGTS. Temos o arrocho claríssimo sobre aposentadorias e pensões e é obscuro o que pretendem com a utilização do FGTS. Aperfeiçoar a correção não é garantia de melhores dias. Desde os anos cinqüenta do século passado, não importando se o governo foi eleito de forma democrática ou autoritária, sempre o trabalhador brasileiro é surrupiado. Fica assim difícil dizer se o trabalhador brasileiro tem futuro.

Fui mais além no artigo Os Desvios do Futuro, de agosto deste ano, onde mostrava que havia uma utilização, beirando o descontrole, com uso do FGTS em subsidiar moradias, o que estaria colocando o patrimônio do Fundo em risco. Colocava no artigo que representantes dos trabalhadores informavam que os subsídios já haviam chegado a R$ 6,5 bilhões, sendo maior que o lucro liquido do Fundo em 2011, que foi de R$ 5,1 bilhões. Até o FI-FGTS, fundo criado no bojo do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para investimentos em projetos de infra-estrutura também corria o risco de ser paralisado, dentro de três anos.

O governo deve ter pensado que o fim do mundo aconteceria em 21 de dezembro próximo, pois só isso explicaria tantos desatinos com o dinheiro do trabalhador. Este não tem como nunca teve a quem reclamar pela péssima gestão de seus patrimônio.

Só tem o direito de pagar a conta.

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