Impeachment: vitória ou derrota

Economiaenegocios Artigos 15 Abril / 2016 Sexta-feira por Prof. Julio Pogorzelski

As questões envolvendo o processo de afastamento da Presidente da República têm provocado na maioria dos brasileiros uma ordem variada de sentimentos. Nesta semana, em particular, há forte tendência de que o clima de angústia se acentue em razão do que pode resultar a primeira fase desse processo, dada a previsão de que se inicie na próxima sexta-feira os trabalhos de votação na Câmara de Deputados.

Aflitos os defensores do afastamento da presidente e não menos os que defendem a sua manutenção como estadista da República. Especialmente em razão dos episódios de intensos debates e protestos de todo o gênero, defendendo ou atacando o pedido de impeachment, para alguns o resultado da votação que está para se iniciar servirá para corroborar se estavam certos ou não. Assim, ambos os lados com um forte receio do resultado e, também, das suas imediatas consequências em todos os planos.

Para uns já dói pensar que o vale-tudo, representado inclusive pela expressiva oferta pecuniária e de cargos, possa atrair alguns suficientes deputados e o impeachment acabar barrado já nessa fase. Sentem-se desde já esbofeteados pela ação de um governo que, sem cerimônia alguma, reconhece como legítima essa sua estratégia. Acentua o desejo pelo impedimento da presidência o fato de que essa compra de votos acontece simultaneamente aos eventos no Palácio do Planalto em que entidades como o MST são recebidas para proferir discursos intimidadores e ameaçadores à paz e às pessoas de bem. Soma-se a tais ocorrências o apelo presidencial aos artistas que posaram naquela casa, certamente também pagos com dinheiro dos cofres públicos. Resignar-se, para esses brasileiros, iria compor um ato de cumplicidade, pois seria aderir à obra da qual resultou sua resignação. Não, eles não querem ser esbofeteados. Apropriar-se desse sofrimento e do sentimento de escárnio e desafeição não lhes interessa.

Clamar e sonhar por um país bem melhor, com a mais intensa força, começando pela defesa da aplicação da lei e o afastamento incondicional de atos ilícitos, é o que desejam esses brasileiros. Porém, na iminência de se depararem novamente com a possibilidade de a impunidade prevalecer, diante de um quadro tão evidente de nocividade calcada no desprezo do governo pelas instituições e pelo povo brasileiro, sejam ou não objetos do pedido de afastamento, sobrevém-lhes uma inquietação, já não tão módica como em outros tempos.

Se o processo de impeachment representa o momento ou a chance de promover o afastamento daquela figura que é para eles a razão das crises política e econômica que o país se encontra submetido, tão importante quanto alcançar esse resultado é a obtenção de uma resposta às atitudes provocativas da corrupção, no momento em que exatamente ela se apresenta como a meretriz em um clamor das ruas jamais visto.

Embora existentes várias dimensões concomitantes que flutuam e circundam o mesmo problema, fato é que as inquietações provocadas pelo processo de impeachment, não podem resultar em modalidades de conflitos que extrapolem o debate.

Se inevitavelmente a nação brasileira atingiu um estado social de fratura ética, composta a partir de uma deformação de vários fatores, necessário que o povo dessa nação se enxergue como partícipe de uma obra coletiva, que requer nesse momento atenção e cultivo aos sólidos princípios do bem comum.

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